INVESTIGAÇÃO POLICIAL

Perícia identifica vítima de explosão no Tatuapé como homem investigado por soltar balões

Frentista Adir Mariano, de 46 anos, era investigado por crime ambiental e morreu em imóvel usado irregularmente como depósito de fogos de artifício; explosão deixou dez feridos

Publicado em 16/11/2025 às 14:26
Reprodução

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que o corpo encontrado carbonizado no imóvel que explodiu no Tatuapé, zona leste da capital, pertence ao frentista Adir Mariano, de 46 anos.

De acordo com o delegado Filipe Soares, da 5.ª Central Especializada em Repressão ao Crime Organizado (Cerco), responsável pelo caso, Adir era baloeiro e respondia a dois processos por crime ambiental. Ele residia no local havia cerca de 40 dias. O corpo já foi liberado à família.

"Ele tem passagem pela polícia em 2011 e 2012 por soltar balões. Foi capturado pela Polícia Civil e respondia a processo. Em um deles, foi absolvido", afirmou o delegado.

O imóvel era usado de forma irregular como depósito de fogos de artifício. A explosão, registrada por volta das 19h50 de quinta-feira (13), atingiu imóveis vizinhos, derrubou estruturas metálicas e causou danos em veículos estacionados na região.

A polícia segue investigando outros possíveis envolvidos, incluindo fornecedores do material apreendido. Soltar balões no Brasil é crime ambiental, com pena prevista de um a três anos de prisão ou multa.

O que aconteceu

A Polícia Militar foi acionada na noite de quinta-feira para atender uma ocorrência de incêndio e explosões nas proximidades da Avenida Salim Farah Maluf, na altura da Avenida Celso Garcia, no Tatuapé. A área precisou ser isolada.

Policiais da 5.ª Delegacia Seccional Leste, que estavam próximos, ouviram a explosão e foram prestar socorro. "Quando chegaram ao local, presenciaram um cenário de guerra: telhas destruídas, carros danificados, pessoas feridas e pedindo ajuda", relatou o delegado.

No rescaldo, o Corpo de Bombeiros acionou o Esquadrão de Bombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar, que localizou um corpo carbonizado entre os escombros.

A principal hipótese da polícia é que Adir manuseava os explosivos no momento do acidente. "Ele não tinha autorização da prefeitura ou de qualquer órgão público para armazenar explosivos em área residencial", acrescentou o delegado.

Imagens que circularam nas redes sociais mostraram o incêndio e uma grande coluna de fumaça próxima a prédios. Vídeos de câmeras de monitoramento registraram o momento da explosão, com rajadas de fogos de artifício.

Segundo os bombeiros, a explosão deixou dez feridos: uma mulher com traumatismo cranioencefálico e um homem com escoriações foram encaminhados ao Hospital Nipo-Brasileiro; um homem com otorragia (sangramento no ouvido) foi levado pelo Samu ao Pronto-Socorro do Tatuapé; outro homem com ferimento na mão foi socorrido por convênio; outras seis pessoas tiveram ferimentos leves, foram avaliadas no local e liberadas.

Investigação

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da explosão. O caso foi registrado como explosão, crime ambiental e lesão corporal.

"O armazenamento ilegal de materiais explosivos representa grave risco à vida e à integridade da população. Todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas para esclarecer os fatos e responsabilizar eventuais envolvidos", informou a Secretaria de Segurança Pública.