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Planetas próximos a estrelas envelhecidas enfrentam destruição iminente

Estudo com dados do TESS revela que gigantes gasosos em órbitas curtas são engolidos ou despedaçados à medida que suas estrelas se expandem, evidenciando o impacto direto do envelhecimento estelar na sobrevivência planetária.

Por Sputnik Brasil Publicado em 17/11/2025 às 10:37
© Foto / NASA, ESA, and G. Bacon (STScI); Science: NASA, ESA, and C. Haswell (The Open University, UK)

Estrelas em processo de envelhecimento podem condenar planetas próximos à destruição, revela uma pesquisa baseada em dados do satélite TESS. O estudo mostra que gigantes gasosos com órbitas curtas são engolidos ou despedaçados à medida que suas estrelas se expandem, trazendo evidências do impacto direto do envelhecimento estelar na sobrevivência planetária.

Publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o trabalho aponta que, conforme as estrelas envelhecem e aumentam de tamanho, planetas que orbitam muito próximos correm sério risco de serem destruídos. O fenômeno afeta especialmente aqueles com órbitas de até 12 dias.

Embora a ideia de estrelas moribundas engolindo planetas não seja nova, poucos estudos haviam detalhado em que estágio da evolução estelar isso ocorre. A pesquisa analisou mais de 400 mil estrelas pós-sequência principal e identificou uma diminuição expressiva na população de planetas próximos a essas estrelas.

O processo de envelhecimento transforma estrelas em assassinas de planetas
O processo de envelhecimento transforma estrelas em assassinas de planetas

Utilizando dados do satélite TESS, os cientistas detectaram 130 planetas em órbita curta, incluindo 33 candidatos inéditos. A análise revelou que gigantes gasosos próximos a estrelas envelhecidas aparecem em apenas 0,28% dos casos, contra 0,35% em estrelas recém-saídas da sequência principal. Entre as gigantes vermelhas, o índice cai para 0,11%, evidenciando que o envelhecimento estelar elimina planetas.

Segundo o autor principal, Edward Brant, a pesquisa oferece evidências diretas de que estrelas em evolução podem rapidamente atrair planetas para sua destruição. Ele destacou a eficiência surpreendente com que esses astros engolem mundos próximos, confirmando teorias debatidas há anos.

Os dados também indicam que quanto menor o período orbital, maior o risco. As forças de maré entre estrela e planeta deterioram a órbita, levando o planeta a espiralar até ser engolido ou despedaçado. Esse processo é comparável às interações gravitacionais entre a Terra e a Lua, porém em escala muito mais intensa.

O estudo lembra que o Sol entrará na fase pós-sequência principal em cerca de 5 bilhões de anos. A Terra tem mais chances de sobreviver do que Mercúrio e Vênus, mas dificilmente a vida resistirá a esse processo. O coautor Vincent Van Eylen ressalta que apenas os estágios iniciais foram analisados, e a evolução futura pode trazer novos riscos.

Para aprofundar o conhecimento, os pesquisadores aguardam a missão PLATO, prevista para 2026, que deverá ampliar a capacidade de detecção e permitir a observação de estrelas ainda mais antigas na fase de gigante vermelha, ampliando o entendimento sobre a condenação de planetas pelo envelhecimento estelar.