TRAGÉDIA NA ZONA LESTE

Homem que morreu em explosão no Tatuapé fabricava pólvora em casa, aponta GATE

Comandante do Esquadrão de Bombas da PM afirma que vítima produzia pólvora e armazenava artefatos explosivos em residência; explosão deixou 10 feridos e interditou 23 casas

Publicado em 17/11/2025 às 10:34
Reprodução

A investigação sobre a explosão que matou um homem na última quinta-feira, 13, no Tatuapé, zona leste de São Paulo, aponta que ele fabricava pólvora em casa. Segundo o comandante Vitor Capello Haddad, do Esquadrão de Bombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar do Estado de São Paulo, há indícios de que Adir Mariano não apenas montava artefatos explosivos, mas também produzia pólvora no local.

Foram encontradas diversas ferramentas utilizadas na fabricação, como prensa, peneira e balança, além de mais de 1,2 mil foguetes apreendidos dentro de um veículo. Entre os itens localizados, havia ainda uma bomba com quase um quilo de pólvora.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o caso é investigado pela 5ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), que trabalha para identificar todos os envolvidos, incluindo possíveis fornecedores do material apreendido.

Adir Mariano era baloeiro e já respondia a dois processos relacionados ao crime, conforme informou o delegado Filipe Soares, da 5ª Cerco. "Ele tem passagem pela polícia em 2011 e 2012 por soltar balões. Foi capturado à época pela Polícia Civil e estava respondendo ao processo. Em um deles, foi absolvido", explicou Soares.

A explosão ocorreu por volta das 19h50 de quinta-feira, na Rua Francisco Bueno, altura do número 73. Rajadas de fogos de artifício cruzaram a Avenida Salim Farah Maluf, próxima ao imóvel. Imagens que circularam nas redes sociais mostram uma área em chamas e uma grande coluna de fumaça nos arredores. Câmeras de monitoramento registraram o momento da explosão, com diversas rajadas de fogos de artifício.

Segundo o Corpo de Bombeiros, além da morte de Mariano, que foi encontrado carbonizado, a explosão deixou 10 feridos. Uma mulher com traumatismo craniano e um homem com escoriações foram encaminhados ao Hospital Nipo-Brasileiro; um homem com otorragia (sangramento do ouvido) foi levado pelo Samu a um pronto-socorro no Tatuapé; outro homem, com ferimento na mão, foi atendido pelo convênio; e outras seis pessoas, com ferimentos leves, foram avaliadas no local e liberadas. Ao todo, 23 casas foram interditadas, mas até o fim da sexta-feira, 14, apenas 11 permaneciam bloqueadas.

Mariano morava no imóvel com a esposa havia cerca de 40 dias. Ela afirmou à polícia que desconhecia o armazenamento dos materiais no fundo da residência. O celular dela foi apreendido e passará por perícia, assim como os itens recolhidos pelo GATE. A Polícia Civil investiga se o suspeito agia sozinho e quem fornecia os materiais.

O delegado Soares destacou que a principal hipótese é de que Adir manuseava os artefatos no momento da explosão. "Ele não tinha nenhuma autorização da prefeitura ou de outro órgão público para armazenar equipamentos explosivos em área residencial", ressaltou.

O caso foi registrado como explosão, crime ambiental e lesão corporal. "O armazenamento ilegal de materiais explosivos representa grave risco à vida e à integridade da população. Todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas para esclarecer os fatos e responsabilizar eventuais envolvidos", afirmou a Secretaria de Segurança Pública.