ATIVIDADE ECONÔMICA

Banco Central aponta primeira queda na prévia do PIB após dois anos de crescimento

Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) recua 0,9% no terceiro trimestre de 2025, pressionado por Selic alta e retração nos principais setores

Publicado em 17/11/2025 às 11:43
© Foto / Antonio Cruz / Agência Brasil

O Banco Central do Brasil registrou uma queda de 0,9% na prévia do PIB referente ao terceiro trimestre de 2025, marcando a primeira retração da economia brasileira em dois anos.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto, caiu 0,9% em relação ao trimestre anterior, já descontados os efeitos sazonais. A última vez que o indicador apresentou contração foi no terceiro trimestre de 2023, quando recuou 0,5%.

O resultado negativo reflete o impacto da política monetária restritiva, com a taxa Selic mantida em 15% ao ano – o maior patamar em quase duas décadas – para conter a inflação. Analistas consultados pelo G1 projetam que o ciclo de cortes nos juros pode começar apenas em janeiro de 2026, se as pressões inflacionárias permanecerem sob controle.

Segundo o Banco Central, houve retração nos três principais setores da economia: agropecuária (-4,5%), indústria (-1%) e serviços (-0,3%). O resultado oficial do PIB, calculado pelo IBGE, será divulgado em 4 de dezembro e poderá confirmar ou revisar a tendência apontada pelo IBC-Br.

O mercado financeiro estima um crescimento de 2,16% para o PIB em 2025, abaixo dos 3,4% registrados em 2024. Já o Banco Central projeta uma expansão de 2%. Embora o PIB seja um importante termômetro da atividade econômica, especialistas ressaltam que ele não reflete, necessariamente, o bem-estar social, já que o crescimento pode ocorrer mesmo com aumento da desigualdade.

Para o BC, a desaceleração da atividade é considerada necessária para trazer a inflação à meta de 3% ao ano. Em ata recente, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou sinais de moderação gradual da economia, redução da inflação corrente e queda nas expectativas futuras, além de um "hiato do produto" positivo, indicando que a economia ainda opera acima de seu potencial sem pressionar os preços.

Em setembro, o IBC-Br recuou 0,2% em relação a agosto, quando havia registrado alta de 0,4%. Na comparação com setembro de 2024, houve avanço de 2%, sem ajuste sazonal. No acumulado dos nove primeiros meses de 2025, o índice cresceu 2,6%, e, em 12 meses até setembro, a expansão foi de 3%.

Por Sputnik Brasil