Presidente do México anuncia consulta popular sobre permanência no cargo
Claudia Sheinbaum responde a protestos e diz que se submeterá à revogação de mandato, reafirmando compromisso com a Constituição e a vontade popular
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou nesta segunda-feira (17) que realizará uma consulta popular para decidir sobre sua permanência à frente do Executivo nacional.
A declaração foi feita após protestos organizados por grupos de jovens da Geração Z, que manifestaram insatisfação com o governo e a violência provocada por cartéis de drogas no último fim de semana. As manifestações terminaram em confronto com forças de segurança e deixaram centenas de feridos.
Durante a marcha, os manifestantes exigiram a ativação do processo constitucional de revogação de mandato, mecanismo previsto na Constituição mexicana e defendido pelo antecessor de Sheinbaum, Andrés Manuel López Obrador.
"A revogação de mandato é uma bandeira nossa; quem a propôs foi o presidente López Obrador, ele a levou para a Constituição e, claro, eu vou me submeter à revogação de mandato, porque é isso que a Constituição diz. Além disso, nunca seremos um fardo para o povo, nunca", afirmou Sheinbaum em sua coletiva de imprensa matutina.
A presidente destacou ainda que as eleições intermediárias de 2027 servirão como termômetro do cenário político do país. "Será um ano agitado (...) Que o povo diga o que quer!", acrescentou Sheinbaum, que mantém mais de 70% de aprovação popular, segundo pesquisas nacionais.
A revogação de mandato foi incluída na Constituição em 2021, durante o governo de López Obrador (2018-2024), e foi aplicada pela primeira vez em 2022.
No protesto, manifestantes também entoaram palavras de ordem contra Sheinbaum e o partido governista Morena, além de exigirem justiça pelo assassinato de Carlos Manzo, prefeito de Uruapan, Michoacán, ocorrido em 1º de novembro.