INOVAÇÃO AMBIENTAL

Petrobras e Coppe-UFRJ inauguram planta piloto para reciclagem de resíduos plásticos

Nova unidade de pirólise instalada na Ilha do Fundão visa desenvolver soluções para gestão sustentável de plásticos e impulsionar a economia circular do carbono

Publicado em 17/11/2025 às 18:01
Reprodução

A Coppe-UFRJ e a Petrobras inauguram, nesta terça-feira (18), uma planta piloto de reciclagem química por pirólise, localizada na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. O objetivo é desenvolver tecnologias inovadoras para a gestão sustentável de resíduos plásticos e contribuir para a transição rumo à economia circular do carbono. O evento de assinatura contará com a presença da diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, e do coordenador geral de Sustentabilidade e Educação da UFRJ, Francisco Esteves.

A Petrobras investiu R$ 10 milhões no projeto de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), abrangendo a reforma do galpão, aquisição, importação e instalação da unidade de pirólise, responsável pelo processo de reciclagem química do plástico.

Os próximos passos incluem a geração de amostras de óleos de pirólise a partir de diferentes resíduos plásticos, utilizando catalisadores variados no processo de reciclagem. Essas amostras serão testadas em escala piloto no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), para verificar a viabilidade de aplicação no coprocessamento em ativos existentes de refinarias de óleo e gás, com o objetivo de produzir insumos sustentáveis e com conteúdo circular.

A pirólise consiste em um processo térmico que transforma resíduos plásticos em óleos e gases reutilizáveis, sem a presença de oxigênio. Isso permite que o material retorne à cadeia produtiva como matéria-prima — como querosene, nafta, compostos aromáticos e outros insumos de alto valor para a indústria petroquímica. Segundo a Coppe-UFRJ, o projeto representa um modelo de reciclagem química de ponta, escalável e ambientalmente eficiente.

Com operação em fluxo contínuo e capacidade para processar até uma tonelada de plástico por dia, a planta é a única do tipo no Brasil e resulta da parceria entre o Laboratório de Engenharia de Polimerização (EngePol) da Coppe e o Instituto de Macromoléculas (IMA/UFRJ), em colaboração com a Petrobras.

"Não acreditamos que o fim da vida útil de um produto químico seja definitivo. Trabalhamos com a ideia da circularidade e temos o interesse de reintroduzir os materiais nos processos químicos, tornando-os matérias-primas para a indústria novamente", explica o professor e coordenador do EngePol/Coppe, José Carlos Pinto.

A operação também contará com o apoio do projeto Orla sem Lixo, que intercepta e coleta lixo flutuante na Cidade Universitária e recicla material plástico sem interesse comercial para a reciclagem mecânica, como embalagens PET.