Brasil acelera defesa digital em meio à nova realidade de computadores quânticos
Projeto da Abin em parceria com a Embrapii busca proteger sistemas criptográficos diante do avanço da computação quântica
O Brasil está intensificando seus esforços em defesa digital diante dos avanços dos computadores quânticos, que representam uma ameaça crescente aos atuais sistemas de criptografia. No início deste mês, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) anunciou o desenvolvimento de um projeto inovador para proteger o país contra riscos cada vez mais concretos trazidos por essa nova tecnologia.
Computadores quânticos são capazes de realizar, em segundos, tarefas que levariam até 100 anos para serem concluídas por computadores convencionais. Embora se acreditasse que essa tecnologia só estaria disponível a partir de 2030, ela já começa a se tornar realidade, colocando em xeque a segurança dos dados criptografados, conforme explica o pesquisador em cibersegurança do Instituto Militar de Engenharia (IME), Guilherme Neves.
Segundo o especialista, o avanço dos computadores quânticos pode tornar obsoletas as senhas atualmente utilizadas para proteger contas e informações digitais. Esse cenário aumenta a urgência por novas soluções de segurança, já que os sistemas de proteção tradicionais tendem a se tornar cada vez menos eficazes contra ataques cibernéticos sofisticados.
Para enfrentar esse desafio, o Brasil iniciou um projeto com previsão de conclusão em 18 meses, resultado de uma parceria entre a Abin e o Centro de Competência em Cibersegurança da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial). O objetivo é desenvolver tecnologias capazes de proteger o país diante das ameaças impostas pela computação quântica.