INVESTIGAÇÃO

Suspeita de mandar matar jovem em Sepetiba se entrega à polícia no Rio

Gabrielle Cristina Pinheiro Rosário, acusada de ser mandante do assassinato de Laís de Oliveira Gomes Pereira, apresentou-se à Delegacia de Homicídios após pressão sobre familiares e temor por sua segurança.

Publicado em 17/11/2025 às 19:53
Reprodução / Agência Brasil

Gabrielle Cristina Pinheiro Rosário, suspeita de ser a mandante do assassinato de Laís de Oliveira Gomes Pereira — morta com um tiro na nuca em 4 de novembro, em Sepetiba, zona oeste do Rio de Janeiro —, apresentou-se à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) na tarde desta segunda-feira, 17. O advogado Diogo Macruz, que acompanhou a apresentação, afirmou que Gabrielle procurou a defesa na véspera, manifestando intenção de se entregar por temer represálias e relatar pressão sobre familiares.

A defesa relatou que a cliente "estava se sentindo coagida através da família, porque a polícia estava indo com frequência à casa da mãe, levando-a para a delegacia, o que a deixou amedrontada". Segundo Macruz, Gabrielle também tinha "pavor de sofrer violência física nas ruas". A Polícia Civil foi procurada para comentar o caso, mas não respondeu até o momento.

No dia 6 de novembro, policiais estiveram na residência de Gabrielle para cumprir mandado de busca, mas encontraram apenas seu namorado, Lucas Soares Ramos — que também era ex-marido da vítima. Ele informou que Gabrielle teria ido para a casa da mãe, em Duque de Caxias. Os agentes tentaram contato com familiares, sem sucesso.

Após avanços nas investigações, a Justiça decretou a prisão preventiva de Gabrielle. Laís foi assassinada enquanto empurrava o carrinho do filho de um ano e oito meses em Sepetiba. De acordo com a Polícia Civil, há fortes indícios de que o crime foi motivado por disputas antigas relacionadas à guarda da filha de quatro anos da vítima. Mensagens obtidas pela investigação apontam ameaças motivadas pelo desejo de Gabrielle de obter a guarda da criança, filha de Laís com Lucas Soares Ramos, atual companheiro da suspeita.

Depoimentos de familiares e testemunhas reforçam que Gabrielle e Laís mantinham conflitos frequentes. O irmão da vítima relatou divergências antigas sobre a convivência com a criança, enquanto amigas e parentes descreveram a suspeita como "controladora" e "obsessiva".

O advogado Diogo Macruz declarou ter tomado todas as providências para garantir a apresentação segura da cliente. "Fiz contato com a delegacia e a entreguei de maneira segura, nesta segunda-feira, às 16h. Optei por mantê-la em silêncio, para ampliar as possibilidades de investigação e defesa", explicou.

Segundo Macruz, Gabrielle será transferida da DHC nesta terça-feira, 18, para o presídio de Benfica, no centro do Rio, onde passará por audiência de custódia na quarta-feira, 19.

Além de Gabrielle, a polícia prendeu Davi de Souza Malto, apontado como autor do disparo que matou Laís. Ele foi identificado após denúncia feita pela própria mãe, Kelly Silva de Souza, que reconheceu o filho por imagens de câmeras de segurança. O condutor da moto utilizada no crime, Erick Santos Maria Lasnor, apresentou-se espontaneamente à polícia e afirmou ter sido coagido por Malto, a quem reconheceu como o atirador.