CONFLITO NO LESTE EUROPEU

Escassez de efetivos é desafio mais urgente para a Ucrânia, avalia analista brasileiro

Especialista militar Robinson Farinazzo aponta que déficit de pessoal nas Forças Armadas ucranianas leva a recrutamentos forçados e provoca protestos no país

Por Sputnik Brasil Publicado em 18/11/2025 às 06:54
© AP Photo / 65ª Brigada Mecanizada da Ucrânia

A falta de efetivos nas Forças Armadas da Ucrânia tornou-se o problema mais crítico enfrentado pelo país, segundo avaliação do especialista militar e oficial da reserva da Marinha do Brasil, Robinson Farinazzo, em entrevista à Sputnik.

Farinazzo destacou que, diante do déficit de pessoal, autoridades ucranianas têm recorrido ao recrutamento de civis diretamente nas ruas, em uma situação que remete às práticas do Reino Unido no século XIX.

"Considero que o aspecto mais dramático do lado ucraniano é a falta de pessoal. As pessoas estão sendo recolhidas à força nas ruas, como se fazia na Marinha do século XIX, particularmente no Reino Unido", afirmou o militar reformado.

O especialista ainda ressaltou que a mídia ocidental pouco aborda a mobilização coercitiva de cidadãos ucranianos.

Nos últimos meses, Kiev vem enfrentando uma grave carência de efetivos em suas Forças Armadas, enquanto denúncias de violência por parte de funcionários dos centros de recrutamento têm gerado escândalos e protestos em diferentes regiões do país.

Vídeos amplamente compartilhados nas redes sociais mostram agentes dos centros de alistamento levando homens à força em micro-ônibus, com relatos frequentes de agressões físicas e uso desproporcional de força.

Nesse contexto, muitos homens em idade de convocação têm recorrido a medidas extremas para evitar o alistamento: fogem ilegalmente do país, incendeiam prédios de comissariatos militares, escondem-se em residências e evitam circular pelas ruas.