COP30 em Belém já ultrapassa R$ 787 milhões; área principal enfrenta críticas por falhas e calor
Governo federal detalha gastos com a organização da COP30, que já superam R$ 787 milhões e podem passar de R$ 1 bilhão. Estruturas principais do evento sofrem críticas por problemas de infraestrutura e desconforto térmico.
O governo federal já investiu R$ 787,2 milhões na organização da COP30 em Belém, e as despesas totais devem ultrapassar R$ 1 bilhão. A prestação de contas foi encaminhada ao Congresso em julho, indicando R$ 859,3 milhões sob responsabilidade da Presidência, mas os custos envolvem também órgãos como Polícia Federal, Forças Armadas e EBC.
De acordo com o Portal da Transparência, o orçamento total da COP30 em Belém já supera R$ 1 bilhão, valor cerca de 20% maior do que o inicialmente divulgado. Parte significativa dos recursos foi destinada à Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), contratada sem licitação para montar as estruturas da conferência, incluindo as zonas azul e verde, em um convênio de R$ 480 milhões.
A zona azul, considerada o principal espaço da COP30, apresentou falhas desde o início do evento, como calor excessivo, falta de água nos banheiros e goteiras em pavilhões. A ONU chegou a enviar uma carta ao governo brasileiro solicitando melhorias. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou que descumprimentos contratuais podem resultar em sanções às empresas responsáveis.
O valor empenhado já autorizado para pagamentos soma R$ 877,2 milhões. Além disso, o Brasil transferiu US$ 7,2 milhões (R$ 38,2 milhões) à UNFCCC, órgão da ONU responsável pelas COPs, para cobrir despesas de comunicação, deslocamento e hospedagem de funcionários.
A montagem da zona azul teve custos inicialmente estimados em R$ 423,5 milhões. O contrato com a empresa DMDL, responsável pela estrutura, foi firmado em R$ 182,6 milhões, dos quais R$ 112,9 milhões já foram pagos. Mesmo assim, persistem problemas como falhas no ar-condicionado, banheiros sem trancas ou insumos básicos e goteiras.
Segundo apuração, as exigências técnicas previam banheiros completos, tendas resistentes, cobertura impermeável e climatização adequada. O governo afirma que as falhas estão sendo monitoradas e sanadas rapidamente, com fornecedores notificados a adotar medidas compensatórias.
A OEI declarou que ajustes são comuns em grandes eventos e que acompanha diariamente a execução dos contratos. A DMDL também afirmou cumprir as especificações e manter equipes técnicas atuando 24 horas para solucionar ocorrências pontuais.
A contratação sem licitação da OEI foi questionada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou falta de justificativas para a dispensa de concorrência e ausência de comprovação de vantagem na escolha. A Secretaria Extraordinária da COP30, vinculada à Casa Civil, alegou que o acordo foi respaldado por tratado internacional ratificado pelo Brasil e regido pelo direito internacional.