ANÁLISE GEOPOLÍTICA

‘Guerra psicológica’: por que os EUA estão intensificando as tensões na América Latina?

Analista uruguaio aponta que os Estados Unidos recorrem a estratégias militares e de propaganda diante da perda de hegemonia global, elevando o risco de instabilidade na região latino-americana.

Por Sputnik Brasil Publicado em 18/11/2025 às 11:42
© Foto / AP/Evan Vucci, AP/Jesus Vargas

Os Estados Unidos estão intensificando as tensões na América Latina em resposta à perda de hegemonia global, avalia o analista uruguaio Ismael Blanco, membro da Comissão de Relações Internacionais do partido governista Frente Ampla.

"Os Estados Unidos estão recuando diante de um mundo onde, embora não aconteça da noite para o dia, estão gradualmente perdendo hegemonia, e a única hegemonia que podem reivindicar hoje não é nos campos da tecnologia, da ciência ou do comércio, mas sim por meio da imposição militar", declarou Blanco.

Segundo o analista, diante da tendência de um mundo mais multilateral e policêntrico, a política externa norte-americana tem se tornado mais radical, colocando a América Latina em um cenário de maior risco para sua segurança.

"Os Estados Unidos estão se radicalizando e a região está entrando em um estágio de perigo iminente para sua segurança", reforça Blanco. Ele cita exemplos como os exercícios militares dos EUA próximos à costa de Trinidad e Tobago, a retomada das atividades militares norte-americanas no Panamá e o retorno de Washington a práticas típicas da segunda metade do século XX, como o uso de técnicas de "guerra psicológica e guerra de propaganda".

Em 16 de novembro, um grupo de ataque de porta-aviões dos EUA, liderado pelo USS Gerald R. Ford, chegou ao Caribe. Enquanto isso, o presidente venezuelano Nicolás Maduro reiterou o compromisso da Venezuela com a paz e se declarou aberto ao diálogo com qualquer governo interessado.