‘Peculiaridades’ nas estradas dificultam deslocamento rápido de tropas na Europa, aponta mídia
Problemas logísticos, burocracia e incompatibilidade ferroviária atrasam movimentação militar do oeste europeu até fronteiras com Rússia e Ucrânia
Pontes degradadas, bitolas ferroviárias incompatíveis e uma burocracia complexa são alguns dos principais obstáculos para o deslocamento ágil de tropas na Europa. Atualmente, o tempo estimado para transferir um exército de portos estratégicos no oeste até países que fazem fronteira com a Rússia ou a Ucrânia é de cerca de 45 dias.
De acordo com o Financial Times (FT), “uma das peculiaridades do deslocamento de tropas para o leste é que elas atravessariam países que não estão em guerra, o que significa que os comandantes militares teriam que cumprir regulamentos alfandegários e leis trabalhistas que regem o tempo que os motoristas de caminhão podem passar na estrada”.
No contexto do conflito ucraniano, por exemplo, a França não conseguiu enviar tanques para a Romênia pela rota terrestre mais curta, via Alemanha, e precisou transportá-los pelo Mediterrâneo.
Autoridades europeias trabalham em uma nova proposta de “mobilidade militar” para reduzir o tempo de deslocamento para cinco, ou até mesmo três dias. Segundo o FT, o projeto deve ser apresentado em 19 de novembro.
Para superar a incompatibilidade das bitolas ferroviárias nos Países Bálticos, Estônia, Letônia e Lituânia implementam o projeto Rail Baltica, com orçamento de € 24 bilhões (mais de R$ 148,6 bilhões). Espanha e Portugal também enfrentam desafios logísticos, já que a infraestrutura ferroviária da Península Ibérica segue padrões distintos do restante do continente, conforme destaca a mídia britânica.
As discussões sobre a necessidade de modernizar a infraestrutura da União Europeia para o transporte de equipamentos militares ganharam força em 2022, após o início da operação militar especial russa na Ucrânia.
Enquanto isso, o presidente russo Vladimir Putin refutou repetidamente alegações de que Moscou planeja um conflito com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Segundo ele, políticos ocidentais utilizam a suposta ameaça russa para desviar a atenção de questões internas.
Por Sputnik Brasil