INVESTIGAÇÃO FEDERAL

Diretor-geral da PF aponta que crimes na venda do Master ao BRB podem chegar a R$ 12 bilhões

Andrei Rodrigues detalha operação que apura fraude bilionária envolvendo bancos e revela prisões e liquidação extrajudicial do Banco Master

Publicado em 18/11/2025 às 15:46
Reprodução / internet

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (18) que as suspeitas de crimes relacionados à tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) podem envolver até R$ 12 bilhões, conforme antecipado pelo Estadão.

Rodrigues prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado, responsável por investigar o crime organizado. Durante sua fala, ele destacou a necessidade de uma definição mais precisa para o termo "crime organizado", a fim de evitar a generalização de qualquer conduta criminosa sob essa denominação, e mencionou o caso Master como exemplo.

"Estamos realizando uma operação importante, em integração com o Banco Central e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), atuando em conjunto para apurar um crime contra o sistema financeiro. A investigação está em andamento, mas estima-se que o valor envolvido chegue a R$ 12 bilhões, com várias prisões já efetuadas", declarou o diretor-geral.

Segundo as investigações, o BRB transferiu aproximadamente R$ 12,2 bilhões ao Banco Master no primeiro semestre de 2025 para a aquisição de carteiras de crédito, antes mesmo de formalizar a intenção de compra da instituição. Durante a análise do negócio, o Banco Central identificou indícios de que as carteiras de crédito eram falsas — ou seja, simplesmente não existiam.

Nesta terça-feira, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, durante a operação citada por Rodrigues. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo.

O Banco Central também decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master menos de 24 horas após o Grupo Fictor manifestar interesse em adquirir a instituição.

Vorcaro foi detido ainda na noite de segunda-feira (17), pois a PF suspeita que ele planejava fugir do país, conforme revelou o Estadão.

De acordo com a investigação, o dono do Banco Master tentou embarcar em um jatinho particular rumo ao exterior, mas foi interceptado pela Polícia Federal no aeroporto, onde recebeu voz de prisão por volta das 22 horas.

A PF já monitorava os passos de Vorcaro antes da deflagração da operação desta terça. Os investigadores identificaram que ele preparava uma tentativa de fuga pelo Aeroporto de Guarulhos. A suspeita é de que a informação sobre o mandado de prisão tenha vazado, levando o banqueiro a tentar escapar. Procurada, a defesa do empresário ainda não se manifestou. Vorcaro foi encaminhado à Superintendência da PF em São Paulo.