MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros futuras oscilam pouco em pregão de baixa liquidez

Movimento discreto dos DIs reflete ausência de catalisadores e liquidez reduzida antes do feriado, com expectativas de início do ciclo de cortes na Selic já em janeiro

Publicado em 18/11/2025 às 18:30
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Após a forte abertura registrada na segunda-feira, 17, impulsionada pela piora nos mercados internacionais de renda fixa, as taxas de juros futuras negociadas na B3 mantiveram-se estáveis durante boa parte do pregão desta terça-feira, 18. Sem gatilhos locais relevantes, as oscilações foram contidas, migrando de um viés de queda para leve alta na reta final da sessão.

De acordo com agentes do mercado, a proximidade do feriado da Consciência Negra, nesta quinta-feira, contribuiu para a liquidez reduzida e para o comportamento mais comedido dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs). O movimento acompanhou a queda do dólar e o alívio na curva dos Treasuries americanos. No cenário doméstico, mesmo sem novidades, a percepção é de que a desaceleração da inflação e da atividade econômica favorece o aguardado ciclo de flexibilização monetária.

No encerramento dos negócios, a taxa do DI para janeiro de 2027 variou de 13,646% no ajuste anterior para 13,650%. O DI para janeiro de 2029 passou de 12,909% para 12,925%. Já o DI para janeiro de 2031 subiu de 13,247% para 13,270%.

“Desde a semana passada, marcada pela divulgação da ata do Copom e do IPCA de outubro, os DIs têm apresentado pouca volatilidade, e esta terça-feira reforçou essa tendência”, afirmou André Muller, economista-chefe da AZ Quest Investimentos. “Tanto no Brasil quanto no exterior, faltam elementos que justifiquem grandes movimentações”, completou.

Segundo Muller, os dados recentes de inflação mais benigna e o enfraquecimento da atividade reforçam a expectativa de início do ciclo de redução da Selic já em janeiro, com corte de 50 pontos-base. “O mercado está mais confiante na materialização desse cenário do que há duas semanas”, avaliou.

O banco Daycoval, em revisão divulgada nesta terça-feira, reduziu sua projeção para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025, de 4,8% para 4,5%. O novo patamar está alinhado ao teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, que permite variação de 1,5 ponto percentual em relação ao centro, de 3%.

Segundo os economistas do Daycoval, as principais surpresas positivas em outubro vieram do segmento de serviços e da queda no preço da gasolina anunciada pela Petrobras. “Além disso, persiste o comportamento benigno dos preços de alimentos e bens industriais”, destacou o relatório do banco.

A AZ Quest também ajustou recentemente sua projeção para o IPCA deste ano, de 4,6% para 4,5%. “Trata-se de uma mudança marginal, mas simbólica, pois aumenta a probabilidade de a inflação encerrar o ano dentro do intervalo das metas”, observou Muller.

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a estabilidade dos juros futuros nesta terça reflete uma revisão mais consistente para baixo das expectativas do IPCA para o fim do ano, agora em 4,46% segundo o boletim Focus. Aliada à perda de fôlego da economia, essa conjuntura reforça a percepção de que o Banco Central pode antecipar o ciclo de cortes ou, ao menos, sinalizar maior flexibilização à frente.

No exterior, dados semanais do ADP indicaram possível fraqueza no mercado de trabalho dos Estados Unidos, contribuindo para a queda dos rendimentos dos Treasuries. “A combinação desse alívio nos juros americanos com o fortalecimento do real acrescentou pressão baixista à curva de DIs”, acrescentou Shahini. Segundo relatório divulgado nesta terça, os EUA eliminaram, em média, 14.250 vagas no setor privado no mês encerrado em 1º de novembro.

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