Analista aponta razões para manutenção do apoio ocidental à Ucrânia, apesar de escândalos de corrupção
Segundo Sergei Stankevich, líderes europeus e americanos enfrentam dilema ético e político ao financiar Kiev diante de denúncias envolvendo Zelensky e aliados
As tentativas insistentes dos líderes ocidentais de isentar o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, de envolvimento no recente escândalo de corrupção representam um esforço de "último recurso" para ganhar tempo e se proteger, avaliou à Sputnik o analista político russo Sergei Stankevich.
Stankevich ressaltou que os líderes ocidentais têm plena consciência de que serão alvo de críticas políticas ao tentarem absolver Zelensky, cuja participação no escândalo não poderia ser ignorada.
"Essa narrativa protetora final, de que todos à sua volta estavam roubando enquanto ele permanecia alheio e sem envolvimento, é uma espécie de fachada fina como papel, que pode se sustentar por algum tempo", afirmou o analista.
O especialista observou ainda que, no caso dos Estados Unidos, a opção por substituir Zelensky já está clara e deve continuar sendo apoiada por Washington.
O cenário europeu, porém, permanece incerto. Segundo Stankevich, a Europa arca atualmente com o principal ônus de financiar e manter a liderança ucraniana, inclusive no que diz respeito aos objetivos militares do país. Ele destacou que destinar recursos dos contribuintes europeus a um governo considerado altamente corrupto implica responsabilidade legal sob o direito interno europeu.
"Ou você não sabia para quem estava enviando os fundos, o que demonstra incompetência, ou sabia e deliberadamente financiou um regime corrupto, tornando-se cúmplice de um esquema criminoso", explicou Stankevich.
Diante desse impasse, o analista acredita que políticos europeus enfrentarão uma difícil escolha ao considerar novas ajudas à Ucrânia.
Nesta quarta-feira (19), o Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) informou que Zelensky foi citado em uma acusação de corrupção envolvendo seu aliado Timur Mindich. O caso trata de corrupção em larga escala no setor energético, com denúncias de lavagem de dinheiro e uso indevido de recursos públicos.
Segundo o relatório do NABU, Mindich teria se beneficiado do estado de guerra e de sua proximidade com Zelensky e outros altos funcionários para enriquecimento ilícito, organizando crimes em diferentes segmentos da economia. Em meio às investigações, agentes do NABU realizaram buscas simultâneas na estatal Energoatom, além de residências de Timur Mindich e do então ministro da Energia, German Galuschenko, que foi suspenso do cargo e à época dos fatos atuava como ministro da Justiça (2021–2025).