INVESTIGAÇÃO

Líder do PT pede à PF ampliação de apuração sobre uso de R$ 1 bi do Rioprevidência no Banco Master

Deputado Lindbergh Farias solicita que Polícia Federal investigue possível uso indevido de recursos previdenciários do Rio de Janeiro em operações com o Banco Master, que já estava sob suspeita.

Publicado em 19/11/2025 às 12:39
Reprodução / Câmara dos Deputados

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), protocolou na Superintendência Regional da Polícia Federal do Rio de Janeiro uma representação solicitando a ampliação da investigação que envolve o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro. O objetivo é apurar o possível uso indevido de recursos previdenciários para atividades ilícitas.

Vorcaro foi preso na noite de segunda-feira, 17, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), durante operação que apura a emissão de títulos falsos pelo Banco Master. Na representação, Lindbergh pede que sejam incluídas todas as operações financeiras, decisões de investimento e aportes realizados pelo fundo de Previdência do governo do Rio de Janeiro, o Rioprevidência, ao Banco Master.

O documento, assinado na terça-feira, 18, cita reportagem da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que aponta que o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) identificou, em outubro, que o Rioprevidência investiu cerca de R$ 1 bilhão em aplicações do Banco Master mesmo quando a instituição já enfrentava crise financeira.

O deputado também requer a oitiva do governador Cláudio Castro (PL), além de representantes do Rioprevidência e do Banco Master.

"Surgiram elementos adicionais que impõem a necessidade de ampliação do escopo investigativo: o Banco Master recebeu, nos últimos meses, investimentos superiores a R$ 1 bilhão do fundo Rioprevidência, responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro", destaca o texto apresentado à PF.

A representação acrescenta: "O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE/RJ) já havia emitido alertas sobre a elevação abrupta da exposição financeira do Rioprevidência ao Banco Master, sem lastro técnico suficiente, sem análise adequada de risco e possivelmente em violação à política de investimentos do fundo."

Segundo o documento, "a decisão de alocar recursos vultosos em uma instituição sob investigação, sem justificativas técnicas robustas, pode representar dano ao erário, risco aos beneficiários do sistema previdenciário e possível crime de gestão temerária ou fraudulenta".

Lindbergh Farias defende que a Polícia Federal apure se gestores do Rioprevidência ou do governo do Rio de Janeiro agiram com negligência deliberada, de forma comissiva ou em conluio com agentes privados. Ele também levanta a hipótese de que a exposição do fundo ao Banco Master possa configurar práticas de corrupção administrativa ou favorecimento indevido.

"A manutenção da investigação restrita ao núcleo original impediria a identificação da totalidade das condutas, dificultaria o rastreamento dos fluxos financeiros e deixaria sem apuração a parte mais sensível do possível esquema ilícito: a utilização indevida de recursos de um fundo previdenciário público para alimentar ou ocultar práticas fraudulentas", argumenta o líder do PT.