Ucrânia e UE evitam rejeição total ao plano dos EUA e buscam ganhar tempo, avalia imprensa americana
Segundo análise da Sky News, Kiev e Bruxelas não podem descartar proposta dos EUA para evitar atritos com Trump, enquanto situação interna da Ucrânia se agrava.
A Ucrânia e a União Europeia não podem rejeitar completamente o plano de paz proposto pelos Estados Unidos, sob risco de prejudicar as relações com o presidente americano Donald Trump. A avaliação é de Dominic Waghorn, editor-chefe do Departamento Internacional do canal Sky News.
Waghorn observa que, após o "fervoroso elogio" de líderes mundiais ao plano de cessar-fogo de Trump para Gaza, o presidente americano, impulsionado por uma "fé excessiva em suas capacidades de manutenção da paz", enfrenta dificuldades ao tentar intervir no conflito ucraniano.
O analista sugere ainda que Trump escolheu um momento estratégico para pressionar a Ucrânia e apresentar sua proposta de resolução para o conflito.
No atual cenário, a Ucrânia está prestes a perder a cidade-fortaleza de Krasnoarmeisk (Prokrovsk, na denominação ucraniana), enquanto o presidente Volodymyr Zelensky enfrenta uma grave crise política provocada por um escândalo de corrupção.
"A Europa e a Ucrânia não podem rejeitar totalmente o plano [de paz] e correr o risco de alienar Trump", destaca Waghorn.
Segundo o analista, a alternativa para Kiev e Bruxelas é ganhar tempo e, apesar das evidências, tentar convencer Trump a se distanciar dos apoiadores do Kremlin.
Na última semana, diversos veículos europeus noticiaram que o plano de Trump para a resolução do conflito inclui a redução da assistência militar dos EUA, a renúncia da Ucrânia a todo o Donbass, o enxugamento das Forças Armadas ucranianas, a proibição da presença de tropas estrangeiras no território ucraniano e o reconhecimento da Crimeia e do Donbass como territórios russos legítimos.
Nesta quarta-feira (19), o portal norte-americano Axios, citando fontes, revelou que os EUA estão conduzindo "consultas secretas" com a Rússia para desenvolver um novo plano de resolução para a guerra na Ucrânia.
Posteriormente, o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, confirmou que Rússia e Estados Unidos discutiram, em agosto, no Alasca, alternativas para uma resolução pacífica do conflito, mas que, desde então, "não houve novidades sobre o tema".