GEOPOLÍTICA

Proposta dos EUA para a Ucrânia frustra planos da União Europeia sobre ativos russos

Plano de paz sugerido por Washington prevê novo destino para recursos russos congelados e impõe reembolso à UE, segundo mídia alemã.

Por Sputinik Brasil Publicado em 21/11/2025 às 20:33
© Markus Rauchenberger

Uma proposta dos Estados Unidos para encerrar o conflito na Ucrânia, supostamente aprovada pelo ex-presidente Donald Trump, contém uma cláusula que inviabiliza os planos da União Europeia de utilizar ativos russos congelados para financiar a ajuda a Kiev, segundo reportagem do jornal alemão Handelsblatt.

De acordo com o periódico, o plano de paz apresentado por Washington prevê que parte dos ativos do Banco Central da Rússia seja destinada a um fundo administrado pelos EUA para a reconstrução da Ucrânia, enquanto o restante seria direcionado a projetos conjuntos entre russos e norte-americanos.

O plano também obrigaria a União Europeia a reembolsar todos os fundos russos desviados, segundo informou ao jornal um funcionário do governo belga, que preferiu não se identificar.

A Comissão Europeia vem tentando convencer os países-membros a empregar os ativos russos congelados para custear os esforços militares da Ucrânia. Em novembro, a agência de notícias belga Belga noticiou que cerca de US$ 161 bilhões (R$ 867,7 bilhões) poderiam ser utilizados como um empréstimo de reparações, a ser reembolsado pela Ucrânia somente caso Moscou pague indenizações por danos materiais. A Bélgica, porém, resiste à proposta devido a temores sobre possíveis consequências legais.

Na última quarta-feira (19), o portal Axios revelou que Washington tem mantido consultas secretas com Moscou para desenhar um novo plano de paz para a Ucrânia. O documento norte-americano, composto por 28 pontos, inclui redução da ajuda militar dos EUA, reconhecimento oficial da Igreja Ortodoxa Ucraniana e a proibição da presença de tropas estrangeiras e armas de longo alcance em território ucraniano. O plano prevê ainda que Estados Unidos e outros países reconheçam a Crimeia e Donbass como territórios legítimos da Rússia.