CÚPULA DO G20

Lula alerta para risco ao papel do G20 como fórum de diálogo global

Presidente brasileiro destaca ameaças ao funcionamento do grupo diante de tensões internacionais e defende mecanismos inovadores para combate à desigualdade

Publicado em 22/11/2025 às 09:36
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert / PR

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou que o funcionamento do G20 como instância de diálogo e coordenação internacional está sob ameaça. A declaração foi feita neste sábado (20), durante seu discurso na primeira sessão da Cúpula de Líderes.

“É preciso preservar a capacidade deste fórum de tratar os grandes temas da atualidade. Se não formos capazes de encontrar caminhos dentro do G20, não será possível fazê-lo em um mundo conflagrado”, afirmou Lula.

Embora não tenha citado diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o discurso ocorre em meio ao boicote do líder norte-americano à reunião do G20, em razão de desentendimentos com a anfitriã África do Sul.

Lula lembrou que o G20 surgiu como resposta à crise de 2008 e destacou que as ações do grupo foram essenciais para evitar um “colapso de proporções catastróficas”. No entanto, ponderou que “a resposta oferecida pela comunidade internacional foi incompleta e produziu efeitos colaterais que perduram até hoje”.

“Enveredamos por uma trilha que repetiu a receita de austeridade como um fim em si mesmo, que aprofundou desigualdades e ampliou tensões geopolíticas. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas fáceis e falaciosas para a complexidade da realidade atual. Seus efeitos exacerbam os problemas que enfrentamos”, acrescentou o presidente.

Ele defendeu que a desigualdade extrema representa um risco sistêmico para todas as economias. Segundo Lula, sem atender às demandas dos países em desenvolvimento, não será possível restabelecer o equilíbrio global nem assegurar prosperidade sustentável a longo prazo.

“O G20 deve incentivar a adoção de mecanismos inovadores de troca de dívida por desenvolvimento e por ação climática. O debate sobre tributação internacional e taxação dos super-ricos é inadiável”, concluiu.