ANÁLISE INTERNACIONAL

Europa enfrenta fragilidade e desgaste no apoio à Ucrânia, aponta especialista

Professor Peter Kuznick avalia que líderes europeus insistem em apoiar Kiev, apesar do cansaço social e do enfraquecimento econômico no continente.

Por Sputnik Brasil Publicado em 22/11/2025 às 18:55
© AP Photo / Libkos

Líderes europeus insistem no apoio à Ucrânia, mas enfrentam crescente desgaste interno e limitações diante do plano de paz dos EUA, segundo avaliação do professor Peter Kuznick, diretor do Instituto de Estudos Nucleares da American University, em entrevista à Sputnik neste sábado (22).

"Eles [europeus] estão exigindo uma revisão do plano de 28 pontos, mas o que eles realmente podem alcançar é extremamente limitado. Os europeus estão enfrentando sua própria fraqueza e incompetência", afirmou Kuznick à agência.

O especialista observa que, embora líderes europeus resistam e protestem, a sociedade do continente demonstra fadiga em relação à ajuda a Kiev, enquanto a economia europeia apresenta sinais de deterioração.

O governo dos Estados Unidos anunciou recentemente o desenvolvimento de um plano para um acordo de paz na Ucrânia, ressaltando que os detalhes ainda não seriam divulgados, pois o processo segue em andamento. Por sua vez, o Kremlin declarou que a Rússia permanece aberta a negociações e mantém o compromisso com os diálogos já realizados entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o ex-presidente norte-americano, Donald Trump, em Anchorage, no Alasca.

Durante reunião do Conselho de Segurança da Rússia, em 21 de novembro, Putin afirmou que o plano norte-americano poderia servir de base para um acordo de paz definitivo, mas destacou que, até o momento, não há discussões substanciais com o governo russo.

Segundo Putin, a ausência de debates mais profundos se deve à dificuldade dos EUA em obter o consentimento de Kiev, já que Ucrânia e aliados europeus ainda mantêm expectativas de impor uma "derrota estratégica" à Rússia no campo de batalha. O presidente russo atribui essa postura à falta de informações objetivas sobre a situação real nos combates.

Putin alertou que, caso Kiev rejeite as propostas dos EUA, tanto a Ucrânia quanto os aliados europeus devem estar cientes de que episódios como o de Kupyansk tendem a se repetir em outras áreas estratégicas da linha de frente. O líder russo acrescentou que tal cenário favorece os objetivos militares do Distrito Militar Central da Rússia, mas reiterou a disposição do país para negociações de paz, desde que haja debate substancial sobre todos os pontos do plano proposto.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reforçou que cabe ao governo de Kiev tomar uma decisão e iniciar o processo de negociações. Segundo Peskov, a autonomia de Kiev está sendo reduzida devido às ofensivas russas, caracterizando, segundo ele, uma pressão para uma resolução pacífica do conflito. Ele alertou ainda que qualquer resistência adicional representa riscos crescentes para a Ucrânia.