TENSÃO NO CARIBE

Venezuela condena exercícios militares dos Estados Unidos no Caribe

Ministro da Defesa venezuelano critica manobras dos EUA em Trinidad e Tobago e alerta para ameaças à soberania regional

Publicado em 22/11/2025 às 19:26
Reprodução

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, condenou neste sábado, 22, as manobras militares realizadas pelos Estados Unidos em Trinidad e Tobago. Segundo Padrino, o país caribenho "emprestou seu território" para ações que representam uma ameaça direta à Venezuela.

"Rechaçamos contundentemente manobras, exercícios e desdobramentos em nossa área próxima de interesse na Venezuela. Basta de mentiras, de injúrias", afirmou o ministro durante um evento público.

Trinidad e Tobago, que está a apenas 11 quilômetros da Venezuela em seu ponto mais próximo, anunciou recentemente a realização de exercícios militares conjuntos com os EUA pela segunda vez. As manobras ocorrem no contexto das operações lideradas por Washington no Caribe, que, segundo o presidente norte-americano Donald Trump, têm como objetivo combater o narcotráfico na região.

Padrino destacou que essas simulações não são inofensivas e representam uma ameaça não apenas à Venezuela, mas a todo o continente. "Manobras inocentes, isso não existe", declarou.

O ministro também criticou a decisão do governo de Trinidad e Tobago: "É triste que o governo de Trinidad e Tobago empreste seu território, degrade sua soberania para que ali se instalem instrumentos de morte e destruição massiva de povos".

Desde setembro, as forças militares dos EUA vêm realizando ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas em águas internacionais do Caribe e do Pacífico, incluindo vários botes que, segundo Washington, partiram da Venezuela. Pelo menos 80 pessoas morreram nessas operações.

Escalada de tensão regional

Denominada "Operação Lança do Sul", a intensificação da presença naval americana no Caribe é a maior desde a Crise dos Mísseis Cubanos em 1962. O porta-aviões Gerald R. Ford chegou à região no último fim de semana, elevando o contingente para cerca de 15 mil tropas, incluindo fuzileiros navais em navios anfíbios e soldados em bases militares em Porto Rico.

Na última semana, o governo Trump também autorizou a CIA a realizar operações secretas dentro da Venezuela, o que pode preparar terreno para ações futuras.

Apesar do aumento das tensões, Trump não descartou a possibilidade de diálogo com Nicolás Maduro. No entanto, seu governo sinalizou que pode designar como organização terrorista um cartel supostamente liderado por Maduro e outros altos funcionários venezuelanos.

Com informações de agências internacionais