CÚPULA DO CLIMA

COP30 aprova financiamento a países pobres, mas omite combustíveis fósseis e gera críticas

Acordo liderado pelo Brasil amplia recursos para nações vulneráveis, mas exclusão de menção aos combustíveis fósseis provoca insatisfação de delegações sul-americanas

Por Sputnik Brasil Publicado em 22/11/2025 às 20:03
© AP Photo / Andre Penner

A presidência brasileira da COP30 aprovou neste sábado (22) um acordo climático que amplia o financiamento para países mais pobres diante do aquecimento global, porém sem mencionar os combustíveis fósseis, principais responsáveis pelas emissões.

Com o acordo, o Brasil buscava demonstrar unidade internacional no enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas, apesar da ausência de uma delegação oficial dos Estados Unidos, maior emissor histórico do mundo.

O chefe da Secretaria do Clima da ONU (UNFCCC), Simon Stiell, reconheceu que o acordo deixou muitos frustrados, mas elogiou a capacidade dos delegados de superarem um cenário de negação e divisão.

"Não estou dizendo que estamos vencendo a luta climática. Mas inegavelmente ainda estamos nela e estamos lutando."

O texto, resultado de duas semanas de negociações em Belém (PA), evidenciou divergências profundas sobre as futuras ações climáticas. Ao aprovar o acordo, o presidente da COP30, André Correa do Lago, admitiu as dificuldades enfrentadas nas discussões.

"Sabemos que alguns de vocês tinham ambições maiores para algumas das questões em pauta."

Países como Colômbia, Panamá e Uruguai apresentaram diversas objeções à falta de medidas mais robustas para conter gases de efeito estufa e à ausência de menção aos combustíveis fósseis. A delegação colombiana ressaltou que tais combustíveis são os maiores responsáveis pelas emissões e afirmou que Bogotá não poderia concordar com um acordo que desconsiderasse a ciência.

O delegado russo, Sergei Kononuchenko, criticou os opositores do acordo, comparando-os a "crianças que querem todos os doces", o que gerou reações divididas entre os presentes.

Financiamento aos mais pobres

A cúpula lançou uma iniciativa voluntária para acelerar a ação climática, apoiando o cumprimento das promessas de redução de emissões e pedindo que os países ricos ao menos tripliquem os recursos destinados à adaptação dos mais vulneráveis até 2035.

Nações em desenvolvimento destacaram a necessidade urgente de fundos para enfrentar impactos já em curso, como elevação do nível do mar, ondas de calor, secas, inundações e tempestades.

Combustíveis fósseis ficam fora do texto principal

O impasse entre a União Europeia e países árabes sobre combustíveis fósseis prolongou as negociações, que avançaram pela madrugada até a obtenção de consenso.

Correa do Lago informou que a presidência divulgaria um texto paralelo sobre combustíveis fósseis e proteção das florestas, mantendo esses temas fora do acordo principal devido à falta de consenso.

O acordo também inicia um processo para que órgãos climáticos revisem como alinhar o comércio internacional à ação climática, diante das preocupações de que barreiras comerciais estejam dificultando a adoção de tecnologias limpas.