EUA preparam nova fase de operações na Venezuela e avaliam ação para derrubar Maduro
Autoridades americanas revelam à Reuters que operações secretas podem ser lançadas nos próximos dias, intensificando pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.
Autoridades americanas ouvidas pela Reuters indicam que operações secretas devem marcar o início de uma nova ofensiva dos EUA contra o governo Maduro.
Os Estados Unidos estão prestes a iniciar uma nova fase de operações na Venezuela, segundo informações de quatro autoridades norte-americanas entrevistadas pela agência Reuters sob condição de anonimato. A iniciativa representa um aumento da pressão do presidente Donald Trump sobre o líder venezuelano, Nicolás Maduro.
A Reuters não conseguiu confirmar o momento exato ou a abrangência das operações, nem se Trump já tomou uma decisão final sobre sua execução. Nos últimos dias, rumores sobre uma ação iminente têm se intensificado, especialmente após o envio de tropas americanas ao Caribe, em meio ao agravamento das relações bilaterais.
Dois dos funcionários consultados afirmaram que operações secretas provavelmente serão a primeira etapa dessa nova ação contra Maduro.
O governo Trump avalia diferentes opções para lidar com a Venezuela, sob a justificativa de combater o suposto envolvimento de Maduro no tráfico de drogas que teria causado mortes nos EUA. Maduro nega qualquer ligação com o narcotráfico. Segundo duas fontes, entre as alternativas em análise está uma operação para destituir Maduro.
Maduro, por sua vez, acusa Trump de tentar derrubá-lo e afirma que tanto a população quanto os militares venezuelanos resistirão a qualquer intervenção. Nos últimos meses, houve um aumento da presença militar dos EUA no Caribe, e Trump teria autorizado operações secretas da CIA no país sul-americano.
Na última sexta-feira (21), a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) emitiu um alerta às principais companhias aéreas sobre uma "situação potencialmente perigosa" no espaço aéreo venezuelano, recomendando cautela. Como consequência, três companhias internacionais cancelaram voos com origem na Venezuela no sábado, após o alerta da FAA.
Os EUA planejam classificar o grupo venezuelano Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira na próxima segunda-feira (24), devido a suposto envolvimento na exportação de drogas aos EUA, segundo autoridades. O governo Trump acusa Maduro de liderar o Cartel de los Soles, acusação que ele nega.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou na semana passada que a designação como organização terrorista "abre uma série de novas opções para os EUA".
Trump declarou que essa designação permitirá aos EUA atacar bens e infraestrutura ligados a Maduro na Venezuela, mas também sinalizou disposição para negociar em busca de uma solução diplomática. Duas autoridades confirmaram conversas entre Caracas e Washington, mas não está claro se esses diálogos podem influenciar o calendário ou a extensão das operações americanas.
O maior porta-aviões da Marinha dos EUA, o Gerald R. Ford, chegou ao Caribe em 16 de novembro, acompanhado de seu grupo de ataque, que inclui pelo menos sete outros navios de guerra, um submarino nuclear e aeronaves F-35.
Até o momento, as forças americanas na região têm focado em operações de combate ao narcotráfico, embora o poder militar mobilizado seja muito superior ao necessário para essas ações. Desde setembro, as tropas americanas realizaram pelo menos 21 ataques contra supostos barcos de narcotráfico no Caribe e no Pacífico, resultando em pelo menos 83 mortes.