Deputado venezuelano afirma que recursos dos EUA para operação no Caribe são insuficientes para agressão à Venezuela
Juan Romero, membro do PSUV, aponta que reforço militar dos EUA no Caribe supera o necessário para combate ao narcotráfico, mas não seria suficiente para uma intervenção em larga escala contra a Venezuela.
Os Estados Unidos enviaram mais recursos militares ao Caribe do que o necessário para operações contra o tráfico de drogas, porém tais recursos ainda seriam insuficientes para uma agressão em larga escala contra a Venezuela, afirmou à Sputnik o deputado Juan Romero, integrante do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e da Comissão para a Segurança e Defesa da Assembleia Nacional venezuelana.
"De um ponto de vista puramente militar, a operação é grande demais para uma ação de supressão ao narcotráfico e insuficiente para uma agressão mais extensa", avaliou Romero à agência.
Romero argumentou que a Venezuela, diferentemente de Granada e Panamá — países anteriormente invadidos pelos EUA —, possui dimensões muito maiores e uma extensa faixa litorânea, o que tornaria extremamente difícil qualquer tentativa de controle total do território. Ele acredita que ataques pontuais, como os realizados por EUA e Israel contra o Irã, não resolveriam o desafio do domínio territorial venezuelano.
O parlamentar destacou ainda que, diante do aumento da presença militar dos EUA no Caribe, o governo venezuelano implementou um sistema de defesa territorial abrangente, que conta com oito milhões de combatentes aptos a lutar, além dos 250 mil soldados do Exército regular.
"[Para a invasão da Venezuela] os EUA teriam que envolver todos os soldados dos comandos africano, europeu, norte-americano, e não apenas o comando do sul", disse Romero.
O deputado também afirmou que a operação, cujos resultados são controversos e que inclui a destruição de vários barcos supostamente usados para o transporte de drogas, é extremamente onerosa, custando a Washington cerca de US$ 50 milhões (R$ 270 milhões) por dia.
Os EUA justificam sua presença militar no Caribe com o argumento de combate ao tráfico de drogas. Nos últimos meses, o país tem intensificado ações militares, destruindo embarcações ao longo da costa venezuelana sob a suspeita de transporte de entorpecentes.