CÚPULA INTERNACIONAL

Lula destaca avanços do G20 e evita comentar prisão de Bolsonaro

Presidente brasileiro valoriza resultados da cúpula na África do Sul, minimiza ausência dos EUA e mantém silêncio sobre detenção de ex-presidente

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/11/2025 às 10:12
© Foto / Ricardo Stuckert / Presidência da República

Durante coletiva de imprensa neste domingo (23), em Joanesburgo, África do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço positivo da reunião do G20 e da COP30, mas evitou comentar a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Lula, que participa da 20ª edição da Cúpula de Chefes de Estado e Governo do G20 — grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo — preferiu não se manifestar sobre a detenção de Bolsonaro. O presidente afirmou que não vê risco de a prisão afetar a relação entre Brasil e Estados Unidos.

"[Donald] Trump tem que saber que somos um país soberano, que a gente decide. E o que a gente decide aqui, está decidido", declarou Lula.

O presidente reforçou que não comenta decisões da Suprema Corte brasileira, mas destacou que a Justiça respeitou o devido processo legal e garantiu a Bolsonaro o direito à presunção de inocência.

"A Justiça tomou uma decisão, ele [Jair Bolsonaro] foi julgado, ele teve todo direito à presunção de inocência, foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delação, de julgamento. Então, a Justiça decidiu, está decidido, ele vai cumprir a pena que a Justiça determinou, e todo mundo sabe o que ele fez", afirmou Lula.

Jair Bolsonaro foi preso preventivamente no sábado (22), após decisão do STF, que considerou que uma vigília convocada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na residência onde Bolsonaro cumpria prisão domiciliar, poderia comprometer a ordem pública.

Além disso, o ex-presidente tentou violar a tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda, o que exigiu a substituição do dispositivo durante a madrugada. Em vídeo divulgado pela imprensa, Bolsonaro admitiu o dano e relatou à perita da Polícia Federal (PF) que a tentativa foi motivada por "curiosidade".

Sobre a ausência dos Estados Unidos na cúpula do G20, Lula minimizou o impacto, lembrando que outros líderes já se ausentaram em edições anteriores e que isso não enfraquece a declaração conjunta, aprovada por unanimidade pelos 19 países presentes.

"O presidente Trump não veio, mas ele vai ter que presidir o próximo G20 nos EUA, e ele vai estar presente e todos nós iremos lá prestigiar o G20. A ausência de um dirigente não significa nada para o G20. Não significa nada porque o G20 são as 20 maiores economias do mundo e eu acho que o G20 hoje é o grande fórum de decisões multilaterais e que tem a respeitabilidade de toda a economia. Estavam todos os países representados menos os EUA. Em outras vezes não veio um ou outro país e o G20 continua fortalecido", declarou.

Lula ressaltou, entretanto, a importância de implementar as decisões tomadas pelo grupo, para evitar uma sensação de "vazio" até o próximo encontro, previsto para Miami, nos Estados Unidos.

O presidente também celebrou os resultados da COP30, destacou a liderança brasileira na agenda climática global e antecipou que 2026 será um ano intenso para o país no cenário internacional, com a abertura de 500 novos mercados, incluindo o acordo Mercosul-União Europeia, cuja assinatura está prevista para dezembro deste ano, em Brasília.