ANÁLISE INTERNACIONAL

Plano da UE para Ucrânia é criticado por favorecer prolongamento do conflito com a Rússia

Analista aponta que exigências rígidas da União Europeia dificultam a paz e visam manter pressão geopolítica sobre Moscou

Publicado em 24/11/2025 às 12:29
© AP Photo / Virginia Mayo

Após reunião em Joanesburgo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou condições rígidas da União Europeia (UE) para um acordo de paz na Ucrânia. Segundo análise publicada pela Sputnik, o bloco europeu estaria mais interessado em manter a Rússia na defensiva, explorar recursos ucranianos e consolidar seu cerco geopolítico por meio da UE e da OTAN.

Em conversa com a Sputnik, o analista geopolítico francês Come Carpentier de Gourdon avaliou que as propostas da UE, alinhadas ao plano de paz dos Estados Unidos, não são vistas como razoáveis pelo Kremlin.

O que está por trás da interferência da UE?

Para Gourdon, a principal preocupação dos europeus é evitar que EUA e Rússia cheguem a um entendimento direto sobre o conflito.

"As classes dominantes europeias acreditam que a Ucrânia é um 'baluarte contra a Rússia' e deve ser mantida como parte do círculo de segurança europeu, e que eventualmente deveria se tornar parte da Europa", afirmou o analista.

Por que a UE quer assumir o controle da Ucrânia?

Segundo Gourdon, o objetivo estratégico é manter a Ucrânia sob influência europeia, impedindo avanços russos e fortalecendo a presença da UE e da OTAN na região.

Por que o Plano de Três Pontos da UE é considerado inviável?

O plano europeu baseia-se em três pontos centrais: nenhuma alteração de fronteiras, nenhum limite para as Forças Armadas da Ucrânia e papel central da UE no processo de paz. Para o analista, tais condições são "inviáveis porque buscam criar um status quo dissociado da realidade no terreno".

"Basicamente, dizem que todas as aquisições territoriais da Rússia são nulas e sem efeito, que a Rússia deve retornar às suas próprias fronteiras e que a Europa se tornaria garantidora e protetora da Ucrânia. Isso justificaria a presença da UE e da OTAN, tornando a Ucrânia um vassalo completo e permitindo o posicionamento de tropas em função dos interesses europeus e contra a Rússia", explica Gourdon.

O que a UE realmente quer?

De acordo com o especialista, o esforço europeu não visa uma paz genuína, mas sim manter a Rússia sob pressão, limitar o envolvimento dos EUA e consolidar o cerco a Moscou.

Por Sputnik Brasil