OPERAÇÃO DUBAI

Influenciador acusado de desviar mais de R$ 146 milhões via Pix é extraditado da Argentina

Gabriel Spalone, investigado por fraudes milionárias em fintechs, foi entregue às autoridades brasileiras após prisão em Buenos Aires; defesa afirma colaboração com Justiça.

Publicado em 24/11/2025 às 15:02
Gabriel Spalone Reprodução

Gabriel Spalone, influenciador digital acusado de desviar mais de R$ 146 milhões por meio de fraudes no sistema Pix, foi extraditado da Argentina para o Brasil na sexta-feira, 21. Ele estava detido em Buenos Aires desde 27 de setembro, quando foi preso no aeroporto após desembarcar de um voo vindo do Panamá.

O advogado Eduardo Mauricio, responsável pela defesa de Spalone, afirmou que o influenciador concordou com a extradição. Segundo o defensor, a decisão "demonstra a contribuição de Gabriel quanto à busca da verdade real dos fatos".

"Gabriel nunca fugiu. Ele já se encontrava no exterior e isso tudo foi uma aventura jurídica por parte da autoridade policial, que fez constar que Gabriel tinha fugido", declarou Mauricio. Ainda segundo a defesa, aguarda-se o julgamento de um habeas corpus no Tribunal de Justiça e foi solicitada novamente a possibilidade de Spalone responder ao processo em liberdade.

O caso

Spalone é o principal alvo de uma investigação da Polícia Civil do Estado de São Paulo contra um grupo suspeito de desviar R$ 146 milhões por meio de fraudes no Pix.

Ele é proprietário da Dubai Cash e da Next Trading Dubai, fintechs voltadas para operações de pagamentos e investimentos. Nas redes sociais, a Dubai Cash afirma ter movimentado mais de R$ 2 bilhões em transações via Pix, enquanto a Next Trading se apresenta como uma empresa de serviços financeiros de alcance global. O influenciador possui dois imóveis, um em São Paulo e outro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Além de Spalone, outros dois homens também são investigados. Eles teriam lucrado quase R$ 75 mil com o esquema criminoso. A defesa deles não foi localizada.

De acordo com a Polícia Civil, o esquema utilizou diversas contas em uma instituição bancária para o recebimento dos valores. As investigações apontam que os golpistas utilizaram o Pix como meio de transferência.

Segundo as apurações, os criminosos ainda se valeram da credencial de uma prestadora de serviços para desviar valores do banco em fevereiro deste ano.

Em 23 de setembro, a 1ª Delegacia da Divisão de Crimes Cibernéticos, vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil, deflagrou a Operação Dubai, visando o cumprimento de mandados de prisão preventiva contra Spalone e os outros dois investigados. Um deles foi localizado na capital paulista e outro em Campinas, no interior de São Paulo, mas Spalone não foi encontrado na ocasião.

O nome de Spalone chegou a ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol, mobilizando agentes da Polícia Civil e autoridades da Argentina, do Panamá, do Paraguai e dos Estados Unidos. Ele acabou preso em um aeroporto de Buenos Aires em 27 de setembro, após desembarcar de um voo vindo do Panamá.