PALMEIRA DOS ÍNDIOS

Demarcação de Terras em Palmeira dos Índios é 'processo irreversível', afirma Coordenador da FUNAI

Por Redação Publicado em 24/11/2025 às 16:34

O debate sobre a demarcação das terras indígenas em Palmeira dos Índios tem alcançado um ponto de não retorno, segundo Cícero Albuquerque, coordenador regional da FUNAI (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e professor da UFAL. Em entrevista à Tribuna do Sertão, Albuquerque enfatizou que a demarcação é um "processo irreversível" e que "não adianta você ficar embarreirando uma coisa que vai acontecer".


O processo de demarcação, embora tenha sido concluído em 2010, demorou 15 anos e ainda não foi homologado. O coordenador atribui a morosidade a "um conjunto de situações complexas" e à falta de compromisso de governos anteriores.


Para a FUNAI, a questão da terra transcende a economia. Albuquerque explica que, no Brasil, terra é uma forma de riqueza, prestígio social e poder, mas para os povos indígenas, é um "assunto sagrado", significando ancestralidade e vida. A terra é vista como "mãe", e a relação com ela é baseada no uso e fruto comum, não na lógica capitalista de propriedade.


O território Xucuru-Kariri, que originalmente era de 30.000 hectares, foi reduzido por negociações históricas para 7.000 hectares, sendo que 5.000 hectares estão em questão neste momento. Albuquerque defende que a homologação representa uma "reparação histórica" e uma "justiça histórica" que precisa ser cumprida.