Novo Nordisk: semaglutida não reduz progressão do Alzheimer em estudo de Fase 3
Medicamento mostrou melhora em biomarcadores, mas não retardou avanço da doença; empresa encerrará extensão dos testes e divulgará dados completos em 2026.
A Novo Nordisk anunciou que seus estudos clínicos de Fase 3 não comprovaram que a semaglutida oral reduz a progressão do Alzheimer em estágio inicial. Em testes realizados ao longo de dois anos com 3.808 adultos, o medicamento não demonstrou superioridade em relação ao placebo na redução do avanço da doença.
Apesar de ter apresentado melhora em biomarcadores associados ao Alzheimer, a farmacêutica destacou que esses resultados "não se traduziram em um atraso na progressão da doença".
Os ensaios envolveram pacientes entre 55 e 85 anos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve. Segundo a empresa, o perfil de segurança do medicamento permaneceu consistente com estudos anteriores.
Martin Holst Lange, diretor científico da Novo Nordisk, afirmou que, diante da "significativa necessidade não atendida" no tratamento do Alzheimer e de indícios preliminares, a companhia considerou ser sua responsabilidade investigar o potencial da semaglutida, mesmo diante da baixa probabilidade de sucesso.
Lange agradeceu aos participantes e cuidadores, e reforçou que, embora o fármaco não tenha se mostrado eficaz contra o Alzheimer, ele segue oferecendo benefícios para diabetes tipo 2, obesidade e comorbidades relacionadas.
Com esses resultados, a extensão de um ano adicional dos estudos será encerrada. A empresa apresentará os dados em um congresso no dia 3 de dezembro e planeja divulgar os resultados completos em 2026.
Em Copenhague, as ações da Novo Nordisk fecharam em queda de 5,8%. Já os ADRs da companhia em Nova York recuavam 5,25% na reta final do pregão, às 17h55 (horário de Brasília).
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