MERCADO FINANCEIRO

Dólar recua levemente e fecha abaixo de R$ 5,40 em sessão de ajustes

Moeda americana registra queda de 0,12% após alta na semana passada; mercado monitora cenário externo e questões fiscais internas.

Publicado em 24/11/2025 às 18:54
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O dólar fechou em leve baixa nesta segunda-feira (24), cotado a R$ 5,3950, após recuar 0,12% no mercado à vista. A divisa ficou abaixo do patamar de R$ 5,40, em uma sessão marcada por ajustes e acomodação, após a forte alta registrada na semana anterior, quando subiu quase 2% impulsionada pelo desempenho no exterior na sexta-feira.

Segundo operadores, o foco do mercado permaneceu no cenário internacional, especialmente nas expectativas de corte de juros nos Estados Unidos em dezembro. As apostas aumentaram após declarações mais moderadas de dirigentes do Federal Reserve (Fed) nos últimos dias. Questões domésticas, como a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, tiveram impacto secundário na sessão.

Durante o pregão, o dólar atingiu a mínima de R$ 5,3792. No acumulado de novembro, a moeda ainda apresenta alta de 0,27%, após avançar 1,08% em outubro. No ano, porém, registra queda de 12,71%.

Alexandre Viotto, head de banking da EQI Investimentos, destaca que a valorização do dólar acima de R$ 5,40 na sexta-feira refletiu, em grande parte, o movimento internacional da moeda na quinta-feira, quando o mercado brasileiro esteve fechado devido ao feriado do Dia da Consciência Negra. "Após esse movimento mais intenso, o mercado está em compasso de espera pelos próximos indicadores americanos. Parte dos investidores acredita que o Fed só deve cortar juros em janeiro", afirma Viotto.

Investidores aguardam a divulgação de dados represados durante o shutdown de 43 dias nos EUA, o maior da história do país. Nesta terça-feira, serão divulgados o índice de Preços ao Produtor (PPI) e as vendas no varejo referentes a setembro.

Pela manhã, Christopher Waller, diretor do Fed e cotado para suceder Jerome Powell, defendeu em entrevista à Fox Business um possível corte de juros em dezembro, citando preocupações com o mercado de trabalho. Waller relatou também uma "ótima reunião" com Scott Bessent, secretário do Tesouro responsável pela sabatina dos candidatos ao comando do Fed.

No cenário externo, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, operou estável, acima dos 100 mil pontos. O iene japonês recuou cerca de 0,20%, devolvendo parte da alta registrada na sexta-feira após autoridades japonesas sinalizarem possível intervenção no mercado cambial.

O mercado também monitora os efeitos do pacote fiscal anunciado pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre a atividade econômica e a inflação. Uma valorização do iene, considerada improvável no momento, poderia influenciar operações de carry trade envolvendo moedas latino-americanas.

Além dos indicadores americanos e do comportamento do iene, Viotto ressalta que o câmbio local acompanha os desdobramentos da chamada "pauta-bomba" no Senado, que inclui a possível votação do projeto de lei complementar sobre a aposentadoria especial de Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias, aprovado pela Câmara em outubro.

No fluxo cambial, Viotto observa um movimento típico de remessas ao exterior para esta época do ano, sem sinais de fuga de capitais como a registrada em 2025. Ele projeta o dólar a R$ 5,50 no fim do ano, considerando a sazonalidade negativa do fluxo.

Pela manhã, o Banco Central vendeu integralmente US$ 2 bilhões em leilão de linha (venda com compromisso de recompra), visando rolar vencimentos de janeiro de 2026. A expectativa é que a autoridade monetária mantenha o mercado de câmbio abastecido até o fim do ano, com novas rolagens e possíveis ofertas adicionais de linha.