Coordenador da FUNAI admite 'erros históricos' e denuncia pressão política em processo de demarcação
O coordenador da FUNAI, Cícero Albuquerque, reconheceu que a instituição cometeu falhas ao longo de sua história, admitindo que a FUNAI "errou muitas vezes" por ser uma instituição "feita por humanos". No entanto, ele esclareceu que os atrasos no cumprimento de tarefas cruciais, como o levantamento de benfeitorias, ocorreram por "pressão política".
Um exemplo citado remete a 2005 e 2019, quando o levantamento de benfeitorias foi interrompido. Albuquerque detalhou que, em um momento, um senador que presidia a comissão de orçamento do Congresso teria "chantageado o governo Dilma" para que a equipe de levantamento fosse retirada, resultando em um recuo estratégico do governo, classificado como uma "experiência extremamente negativa".
Atualmente, a retomada dos levantamentos e a busca pela homologação não são uma decisão meramente administrativa da FUNAI ou da nova gestão, mas sim o cumprimento de uma "ordem judicial". O país, inclusive, corre o risco de ser denunciado à Corte Interamericana de Direitos Humanos por não garantir esse direito fundamental.
Cícero Albuquerque destacou que a atual gestão da FUNAI está comprometida em reverter esse cenário, atuando sob a presidência de Joia Oapchana (Joênia Wapichana) e o recém-criado Ministério dos Povos Indígenas, comandado por Sônia Guajajara.