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Japão planeja instalar mísseis em ilha próxima a Taiwan; China reage e alerta para riscos

Governo japonês anuncia reforço militar em Yonaguni, a apenas 110 km de Taiwan, e provoca forte reação de Pequim, que classifica a medida como 'extremamente perigosa' e ameaça impacto nas relações bilaterais.

Publicado em 24/11/2025 às 20:28
O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi Reprodução / Instagram

O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, anunciou no domingo (23) que o país pretende instalar mísseis terra-ar de médio alcance na base militar da ilha de Yonaguni, localizada a cerca de 110 quilômetros de Taiwan.

Segundo o jornal The Japan Times, Koizumi afirmou, durante visita à ilha, que o envio dos mísseis "pode ajudar a diminuir a probabilidade de um ataque armado" contra o Japão. "A ideia de que isso aumentará as tensões regionais não é precisa", ressaltou o ministro.

A iniciativa, porém, gerou forte reação da China, que enfrenta uma crise diplomática com o Japão desde que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou que possíveis ações chinesas contra Taiwan poderiam justificar uma resposta militar por parte do governo japonês.

Questionada sobre a declaração de Koizumi, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, classificou a decisão como "uma manobra deliberada que alimenta tensões regionais e provoca o confronto militar".

"Considerando as declarações equivocadas da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, essa ação é extremamente perigosa e deveria colocar os países vizinhos do Japão e a comunidade internacional em alerta máximo", afirmou Mao Ning em entrevista coletiva nesta segunda-feira (24).

Na semana passada, o Japão já havia enviado caças da Força Aérea de Autodefesa para Yonaguni, após a identificação de um drone chinês sobrevoando a área entre a ilha japonesa e Taiwan.

Mao Ning também reiterou a exigência de um pedido de desculpas por parte de Sanae Takaichi e afirmou que as declarações da primeira-ministra prejudicaram as negociações para uma nova reunião trilateral entre China, Japão e Coreia do Sul. "A China insta o Japão a levar a sério o que ouviu da China, a fazer uma profunda reflexão e corrigir seus erros, a agir de acordo com seu compromisso com a China e a parar de seguir seu caminho equivocado, e muito menos dizer uma coisa e fazer outra", acrescentou.

A China considera Taiwan parte de seu território, apesar de a ilha ter governo próprio e atuar de forma independente. Taiwan, por sua vez, nega a autoridade de Pequim — posição respaldada por Sanae Takaichi.

Em depoimento a uma comissão parlamentar em 7 de novembro, a primeira-ministra japonesa afirmou que, se as ações da China contra Taiwan envolverem "o uso de navios de guerra e ações militares, poderá, sem dúvida, tornar-se uma situação de risco de vida".

Desde então, as tensões entre as duas maiores economias da Ásia se intensificaram. A China insiste em um pedido de desculpas e recomendou que seus cidadãos evitem viagens ao Japão. O governo japonês tenta acalmar os ânimos e chegou a enviar um representante do Ministério das Relações Exteriores a Pequim, mas declarações de integrantes do gabinete de Sanae têm dificultado a distensão.