CPMI do INSS pode ser para Lula o que a CPI da Covid-19 foi para Bolsonaro?
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre fraudes no INSS avança no Congresso e pode impactar cenário eleitoral de 2026, mas especialistas apontam diferenças em relação à CPI da pandemia
A CPMI do INSS pode ser para Lula o que a CPI da Covid-19 foi para Bolsonaro? A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada no Congresso Nacional para investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está em andamento há três meses e tem previsão de conclusão para março de 2026, ano eleitoral. Mas quais impactos a atuação parlamentar pode trazer para o pleito do próximo ano?
Embora o objetivo central seja apurar irregularidades, comissões de inquérito frequentemente geram efeitos colaterais no campo político. Sobre os possíveis impactos na governabilidade e na imagem do governo, o cientista político Paulo Roberto Figueira Leal lembra que toda CPI é potencialmente problemática quando há maioria oposicionista. No entanto, algumas têm maior capacidade de enfraquecer governos do que outras.
Segundo o especialista, o cenário atual pode ser comparado, em certa medida, à CPI da Covid-19, enfrentada pelo governo de Jair Bolsonaro. “É preciso observar que, ao contrário da CPI da Covid-19, que dominava o debate público e era o grande tema nacional, a questão do INSS, embora relevante e de grande alcance, não está no centro do noticiário”, avalia Leal.
Quanto à governabilidade, Leal entende que o governo Lula não sofre desgaste direto em função da CPMI, mas destaca que a comissão “é um sintoma das dificuldades do governo em construir maioria no Congresso”. Ele acrescenta: “O fato de que CPMIs comecem a sair do controle revela um ambiente hostil, sobretudo na Câmara, criando não apenas riscos específicos dessa investigação, mas também de decisões futuras que podem afetar a governabilidade e gerar danos eleitorais a serem administrados pelo governo nos próximos meses”.