G20: Nações do BRICS buscam redefinir ordem internacional além dos temas tradicionais, aponta analista
Ausência dos Estados Unidos na cúpula evidencia protagonismo do Sul Global e reforça debate sobre multilateralismo e novos desafios internacionais.
Enquanto Belém sediava os últimos dias da intensa programação da COP30, Joanesburgo, na África do Sul, foi palco no último fim de semana da cúpula de chefes de Estado do G20. Apesar da ausência marcante dos Estados Unidos, que sequer enviaram representantes, especialistas destacam que o encontro reafirmou a força do Sul Global na defesa do multilateralismo.
De acordo com o professor João Estevão, potências médias como Brasil e África do Sul desempenham papel fundamental ao trazer para o centro do debate a necessidade de criar novos mecanismos de concertação e cooperação internacional, especialmente diante da "incapacidade ou falta de vontade" dos Estados Unidos em participar ativamente desses fóruns.
"Não que isso não tenha ocorrido em outros momentos, mas trata-se de uma reafirmação da tentativa desses países, especialmente do BRICS, de se posicionar como um polo capaz de alterar o ordenamento internacional para além dos temas tradicionalmente debatidos, como segurança, comércio e economia. Agora, entram em pauta assuntos contemporâneos, como a crise climática e a governança da inteligência artificial", explica o professor.
Além disso, João Estevão avalia que a ausência completa de Washington em um encontro de tamanha relevância sintetiza a atual agenda internacional do país, que busca impor decisões com base na "força bruta", deixando de lado canais diplomáticos e de cooperação. Segundo ele, essa postura dos Estados Unidos visa esvaziar espaços políticos essenciais, como a COP30 e o próprio G20.
O especialista também lembra que a presidência rotativa do G20 agora está sob comando dos Estados Unidos, que sediarão a próxima cúpula de líderes em 2026.