Deputado russo afirma que União Europeia não tem legitimidade para propor plano de paz para a Ucrânia
Adalbi Shkhagoshev, da Duma Estatal, acusa líderes europeus de minar negociações anteriores e defende protagonismo russo nas tratativas
A União Europeia não tem condições de influenciar qualquer plano de paz para a Ucrânia, pois, segundo o deputado da Duma Estatal Adalbi Shkhagoshev, os europeus jamais demonstraram interesse real em um acordo e teriam sistematicamente sabotado negociações anteriores.
De acordo com o parlamentar, a elaboração de um plano de paz só faz sentido para aqueles que realmente desejam o fim do conflito. Ele acusa líderes europeus de terem perdido credibilidade após o fracasso dos Acordos de Minsk.
"Os europeus não têm estatura para serem autores ou garantes de um novo plano. Seu poder de garantia foi destruído junto com os Acordos de Minsk. Eurocratas nunca buscaram a paz e, de forma metódica e implacável, a sabotaram na Ucrânia dentro dos limites de suas possibilidades", declarou à Sputnik.
Shkhagoshev também afirmou concordar com a comparação feita pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia.
"Nem Israel nem a Ucrânia são capazes de alcançar seus objetivos sem o apoio dos Estados Unidos", acrescentou.
O deputado defende que o caminho direto para uma paz duradoura passa por Moscou, pelo Kremlin e pelo presidente russo, Vladimir Putin. Ele argumenta ainda que qualquer pressão sobre o chefe de Estado russo seria fracassada e inadmissível por parte de Trump.
Recentemente, a administração norte-americana confirmou que trabalha em um plano de resolução para o conflito, mas indicou que ainda não discutirá detalhes. O Kremlin, por sua vez, reiterou que a Rússia permanece aberta ao diálogo e mantém sua posição nas negociações de Anchorage.
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou em 21 de novembro que o plano dos EUA poderia servir de base para um acordo final, mas que o texto ainda não vem sendo discutido de forma substantiva com Moscou. Segundo ele, Washington não teria conseguido obter o aval de Kiev e de aliados europeus, que estariam presos a ilusões e continuariam a sonhar com uma "derrota estratégica" da Rússia no campo de batalha.
Putin advertiu ainda que, caso Kiev rejeite as propostas americanas, episódios como os ocorridos em Kupyansk inevitavelmente se repetirão em outros setores-chave da frente. Ele acrescentou que tais avanços militares não contrariam os interesses da Rússia, mas reiterou a disposição do Kremlin para negociações, desde que haja debate detalhado de qualquer plano de paz.
O porta-voz presidencial Dmitry Peskov também destacou que cabe a Kiev tomar uma decisão e iniciar conversações. Segundo ele, o espaço para a liberdade de ação do regime de Kiev está se reduzindo com o avanço das tropas russas, e a continuação da resistência ucraniana seria inútil e perigosa.
Por Sputnik Brasil