CENÁRIO POLÍTICO

PL intensifica articulação por anistia após prisão de Jair Bolsonaro

Oposição prioriza aprovação de projeto que concede anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro, em reação à prisão preventiva do ex-presidente

Publicado em 25/11/2025 às 06:43
© Foto / Lula Marques/Agência Brasil

Flávio Bolsonaro afirmou que a prioridade da oposição será aprovar a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, rejeitando qualquer acordo sobre dosimetria das penas. A prisão preventiva de Jair Bolsonaro intensificou a ofensiva do PL no Congresso, que busca levar o tema ao debate imediato.

De acordo com a Folha de S.Paulo, o Partido Liberal prepara uma nova mobilização no Congresso para destravar a tramitação do projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro. A iniciativa surge como resposta à prisão preventiva de Jair Bolsonaro, decretada no sábado (22), e foi debatida em reunião com familiares do ex-presidente, dirigentes do partido e parlamentares.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou que a prioridade absoluta da oposição é aprovar a anistia, descartando qualquer negociação sobre dosimetria das penas. Segundo ele, o partido não fará acordos nesse sentido e utilizará apenas instrumentos regimentais para levar o texto à votação. "Nosso compromisso é com a anistia, não com dosimetria", afirmou.

O senador também destacou que a oposição não pretende obstruir os trabalhos do Congresso, como já ocorreu em outras ocasiões, justamente para garantir que o tema seja debatido. A estratégia é manter o foco na aprovação da proposta e pressionar pela sua inclusão na pauta da Câmara.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), relatou conversas com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), que estaria consultando líderes partidários sobre a viabilidade de discutir o assunto. Marinho defendeu que o Parlamento não pode ficar "à mercê de outro Poder" e que o debate precisa ser desinterditado, sempre com respeito às lideranças das Casas.

Nos últimos dias, Motta sinalizou que poderia pautar o tema, e o relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP) afirmou que a prisão de Bolsonaro daria novo impulso ao projeto, facilitando a negociação sobre dosimetria. No entanto, aliados apontam que a expectativa é de que a oposição retire a emenda da anistia, já que Motta considera a proposta inconstitucional e não pretende avançar sem esse recuo.

A divulgação de vídeo em que Bolsonaro admite ter usado "ferro quente" para tentar abrir a tornozeleira eletrônica aumentou a resistência no Centrão. Parlamentares passaram a avaliar que qualquer discussão sobre anistia ou redução de penas enfrenta dificuldades adicionais. O tema deve ser tratado em reunião de líderes nesta terça-feira (25).

Marinho também mencionou um "amadurecimento" dos presidentes da Câmara e do Senado sobre a necessidade de discutir o projeto, para que os parlamentares possam se posicionar de forma clara. O encontro do PL, antecipado para segunda-feira (24), abordou ainda a rejeição ao nome de Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF), e a estratégia eleitoral para 2026.

Flávio Bolsonaro descartou ser candidato à presidência, afirmando que pretende disputar o Senado e que a definição sobre o nome presidencial caberá a Jair Bolsonaro no momento oportuno. Enquanto isso, o ex-presidente permanece preso na superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, sob justificativa de garantia da ordem pública diante de mobilizações convocadas por seus aliados.

Por Sputnik Brasil