CONFLITO NO LESTE EUROPEU

Lavrov afirma que Rússia ainda prioriza diplomacia para conflito na Ucrânia

Chanceler russo revela envio de propostas de paz por representante de Trump e volta a criticar postura de Kiev e do Ocidente

Publicado em 25/11/2025 às 09:07
Lavrov afirma que Rússia ainda prioriza diplomacia para conflito na Ucrânia Reprodução

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou que Moscou mantém a diplomacia como solução preferencial para a guerra na Ucrânia. Segundo Lavrov, o enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Steve Witkoff, esteve recentemente em Moscou para apresentar "parâmetros concretos" de um possível plano de paz.

Em entrevista à Associação Diálogo Franco-Russo, Lavrov detalhou que as propostas levadas pelo representante de Donald Trump contemplavam princípios exigidos por Moscou, como a necessidade de abordar as "causas profundas" do conflito — especialmente a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a militarização da Ucrânia. O chanceler, porém, criticou o que classificou como "contradições" do governo ucraniano, afirmando que o presidente Volodymyr Zelensky, ora se mostra disposto a discutir o plano, ora nega qualquer negociação, o que, na visão russa, dificulta avanços rumo a um entendimento.

Lavrov também acusou europeus e americanos de terem "bloqueado" tentativas anteriores de negociação, citando a intervenção do então premiê britânico Boris Johnson em 2022. O ministro reiterou que o Ocidente mantém uma estratégia orientada a impor uma "derrota estratégica" à Rússia, inclusive por meio de sucessivos pacotes de sanções. Apesar disso, garantiu que Moscou permanece aberta ao diálogo, desde que haja clareza sobre as condições apresentadas e respeito aos interesses de segurança russos.

Ao abordar temas globais, Lavrov ironizou a recente sinalização do presidente francês, Emmanuel Macron, de que a França poderia se aproximar do Brics. "Macron já disse em algum lugar que irá participar do Brics. Mas ninguém o convidou." Segundo o chanceler, não há consenso dentro do bloco para aceitar Paris, já que, pelas posições assumidas pela França em política externa, seu lugar natural permanece sendo a União Europeia, a Otan e o G7.