OPERAÇÃO POLICIAL

PF realiza buscas e prisões por desvios milionários na Saúde no Sul e em SP; Justiça bloqueia R$ 22,5 milhões

Ação mira organização criminosa acusada de desviar recursos destinados a hospitais municipais no Rio Grande do Sul e em São Paulo, com sequestro de bens e afastamento de investigados.

Publicado em 25/11/2025 às 10:16
PF realiza buscas e prisões por desvios milionários na Saúde no Sul e em SP; Justiça bloqueia R$ 22,5 milhões Reprodução

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (25) a Operação Paralelo Cinco, que desarticulou uma organização criminosa responsável por desviar milhões de reais da área da Saúde em municípios do Rio Grande do Sul e de São Paulo. A ação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul.

Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. As diligências resultaram ainda no sequestro de 14 imóveis, apreensão de 53 veículos e uma embarcação, além do bloqueio de mais de R$ 22,5 milhões em contas bancárias dos investigados.

Ao todo, 20 pessoas são investigadas e foram submetidas a outras medidas cautelares, como afastamento de funções, suspensão de atividades econômicas, restrição de acesso a órgãos públicos e proibição de contato entre os envolvidos. A decisão da 2ª Vara Federal de Santana do Livramento determinou ainda a designação de interventores nos hospitais municipais de Jaguari (RS) e Embu das Artes (SP).

Segundo a PF, desde janeiro de 2024, um grupo de empresários de Porto Alegre assumiu a gestão dos hospitais municipais e utilizou empresas de fachada e entidades intermediárias para emitir notas fiscais frias, ocultando o destino real dos recursos públicos.

De acordo com as investigações, valores milionários eram rapidamente transferidos para dezenas de contas de pessoas físicas e jurídicas sem vínculo com os serviços contratados. Os desvios envolviam pagamentos de salários elevados a funcionários que não trabalhavam, contratos fictícios, aluguéis de imóveis de alto padrão, viagens de luxo, compra de bens particulares e manutenção de benefícios pessoais — tudo com dinheiro originalmente destinado aos hospitais de Jaguari (RS) e Embu das Artes (SP).

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de capitais e outros delitos correlatos.

A operação foi realizada em dez cidades. Em Jaguari (RS), foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão; em Santiago (RS), um mandado de busca; em Porto Alegre (RS), um mandado de prisão preventiva, nove de busca e apreensão e bloqueio de cinco imóveis; em Gravataí (RS), um mandado de prisão preventiva, dois de busca e apreensão e apreensão de cinco imóveis; em Alvorada (RS), um mandado de busca; em Gramado (RS), sequestro de um imóvel; em Balneário Camboriú (SC), três mandados de busca e apreensão e sequestro de um imóvel; em Osasco (SP), dois mandados de busca; em Embu das Artes (SP), dois mandados de busca; e, em São Paulo (SP) e Boa Vista (RR), sequestro de um imóvel em cada cidade.