POLÍTICA E ECONOMIA

Senadores defendem criação de CPI do Master em sessão com Galípolo

Parlamentares cobram investigação aprofundada sobre liquidação do Banco Master e atuação do Banco Central durante audiência na CAE do Senado

Publicado em 25/11/2025 às 13:36
Senadores defendem criação de CPI do Master em sessão com Galípolo Edilson Rodrigues/Agência Senado

Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta terça-feira (25), parlamentares defenderam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as operações que resultaram na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central (BC) na semana passada.

A senadora Leila Barros (PDT-DF) destacou que o requerimento para a instalação da CPI já foi protocolado e convocou os colegas a assinarem o documento. Para a parlamentar, o BC agiu rapidamente após a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovar a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Leila também questionou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre o papel do BRB no episódio, indagando se o banco teria sido uma "vítima incompetente" ou se teria participação "nessa fraude". Galípolo, por sua vez, afirmou que não poderia responder a todos os questionamentos devido ao sigilo e ao andamento das investigações.

Na mesma linha, o senador Esperidião Amin (PP-SC) ressaltou a importância de a CPI esclarecer as consequências do caso Master. "Estamos vendo cenas do século passado. Hoje não voto a favor da autonomia do BC. O algoritmo não mostrou que o crescimento do Master era anômalo? Não confio em quem não tem esse algoritmo", criticou Amin durante sua participação na sessão.

Outros senadores também questionaram a atuação do BC. Eduardo Braga (MDB-AM) classificou o episódio como "farra no sistema financeiro" e afirmou: "O que está acontecendo no Brasil é um escândalo. O Master era uma tragédia anunciada". Jorge Seif (PL-SC) questionou o motivo pelo qual o regulador só interveio quando a situação do banco se tornou irreversível. "O Master não é nem 1% do sistema e vai abocanhar um pedação do FGC", disse, referindo-se ao Fundo Garantidor de Crédito.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) relatou ter recebido informações do Banco de Brasília, que chegou a negociar um socorro ao Master, justificando que se tratava de uma operação rentável. "Hoje vemos que era uma operação com título podre", concluiu.