Golpe do presente: operação mira quadrilha suspeita de movimentar R$ 14 milhões
Ação conjunta das polícias do Paraná e de São Paulo desmantela grupo que fraudava aniversariantes em cinco estados
Uma operação das Polícias Civis do Paraná e de São Paulo, deflagrada nesta terça-feira (25), tem como alvo uma quadrilha suspeita de movimentar R$ 14 milhões aplicando o chamado golpe do presente em aniversariantes. Só no Paraná, mais de 270 pessoas foram vítimas do esquema, que também atuou em pelo menos outros quatro estados: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia.
Os policiais cumpriram 41 mandados de prisão e 90 de busca e apreensão na capital paulista, em São Bernardo do Campo e Diadema, na Grande São Paulo. Segundo o balanço divulgado até o fim da manhã desta terça-feira, 28 pessoas já haviam sido presas temporariamente em cidades paulistas.
"Os autores são todos do Estado de São Paulo. Prendemos hoje os operadores financeiros, ou seja, as pessoas que recebiam os valores dos golpes, e também os motoboys que vinham de São Paulo ao Paraná aplicar o golpe", explicou o delegado Emmanoel David, da Polícia Civil do Paraná.
De acordo com o delegado, os criminosos identificavam vítimas que estavam fazendo aniversário por meio de pesquisas na internet e se passavam por floriculturas ou lojas de chocolate. Eles alegavam que precisavam entregar um presente e cobravam uma taxa pelo serviço do motoboy. "Ao informar o valor do frete, acabavam cobrando um valor maior do que o devido", detalhou o delegado.
Em alguns casos, os golpistas trocavam o cartão da vítima por outro, sem que ela percebesse. A investigação, iniciada há um ano, revelou ainda que os criminosos utilizavam maquininhas de cartão adulteradas para capturar dados e senhas dos cartões.
"Somente no Paraná, integrantes dessa organização criminosa foram presos em flagrante duas vezes, com diversas maquininhas apreendidas. Em março, prendemos parte da quadrilha em Curitiba. Eles voltaram para a cidade e foram presos novamente, além de terem sido detidos em outros estados", relatou o delegado.
Após aplicar o golpe, o dinheiro era rapidamente transferido para várias contas bancárias de laranjas, dificultando o rastreamento pelas instituições financeiras e pela polícia. A Justiça determinou o bloqueio de 41 contas bancárias pertencentes aos investigados.