Moscou acusa Europa de tentar sabotar negociações de paz na Ucrânia
Representante do Ministério das Relações Exteriores da Rússia critica postura europeia e elogia iniciativa dos EUA em busca de acordo para o conflito ucraniano.
A Europa estaria dificultando o avanço de iniciativas diplomáticas para solucionar o conflito na Ucrânia, acusou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em entrevista à agência Sputnik.
Segundo Zakharova, líderes políticos europeus, com o apoio da mídia local, têm atuado para impedir o estabelecimento da paz na região.
"Isso não se trata de ganhar pontos nem de fortalecer a própria posição atraindo as massas. Trata-se, primeiro, de sabotar um acordo político-diplomático e, segundo, de manipular a situação em benefício próprio", declarou Zakharova ao comentar reportagens recentes sobre um suposto plano dos Estados Unidos e declarações de autoridades da União Europeia.
A diplomata ressaltou que tais manobras visam inviabilizar qualquer possibilidade de uma solução política e diplomática para o conflito.
Zakharova afirmou ainda que, diante das iniciativas de Washington, a Europa reage com ruído midiático, postura recorrente sempre que algo foge ao previsto pelo Ocidente.
Ela acrescentou que expressões como "plano de paz", "negociações" ou "contatos" provocam desconforto em certos setores europeus, pois contrariam seus interesses.
Na terça-feira (25), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que a Europa perdeu a oportunidade de contribuir para a resolução da crise ucraniana.
Lavrov elogiou a postura dos Estados Unidos, classificando-os como o único país ocidental a demonstrar iniciativa em busca de um acordo. Segundo ele, aqueles que tentam liderar o debate sobre o plano de paz estariam, na verdade, minando os esforços do ex-presidente Donald Trump e distorcendo o plano conforme seus próprios interesses.
O ministro acrescentou que Moscou aguarda a versão provisória do documento elaborada pelos EUA, atualmente em fase de coordenação com Bruxelas e Kiev.
Lavrov destacou ainda que, sempre que houve avanços nesse sentido, os acordos acabaram frustrados. Ele descartou qualquer papel de mediação para França ou Alemanha, apontando Belarus e Turquia como países mais aptos a exercer essa função.