Com recusa dos EUA em financiar Ucrânia, UE será incapaz de assumir esse fardo, afirma especialista
Professora russa em relações internacionais avalia que bloco europeu não possui recursos nem disposição para sustentar conflito sem apoio norte-americano
Após a recusa dos Estados Unidos em continuar financiando o conflito na Ucrânia, a União Europeia (UE) não está preparada para arcar sozinha com esse fardo e os riscos envolvidos, afirmou à Sputnik a professora e especialista russa em relações internacionais Yulia Boguslavskaya.
A especialista reconhece que a Europa tem interesse em apoiar a Ucrânia, mas destaca que o bloco europeu não dispõe de condições para sustentar o conflito a longo prazo.
"No entanto, acredito que a União Europeia provavelmente não estará pronta para tomar medidas decisivas nem para manter o conflito por um período prolongado, caso tenha de arcar sozinha com todos os encargos e riscos financeiros", avaliou Boguslavskaya.
Segundo a professora, caso a Ucrânia não aceite o plano proposto pela administração de Donald Trump, o país poderá enfrentar um cenário difícil, com escassez de recursos e armamentos, uma vez que depende fortemente do apoio norte-americano.
Sem o respaldo do governo Trump, a União Europeia atualmente não dispõe dos recursos necessários para financiar as operações militares em território ucraniano, ressaltou a especialista.
Além disso, Boguslavskaya aponta que os Estados Unidos têm outros motivos para limitar seu envolvimento, como a intensificação da rivalidade com a China e o fortalecimento da cooperação entre Pequim e Moscou, fatores que podem impactar a economia norte-americana.
"Ao mesmo tempo, os Estados Unidos deveriam concentrar-se na competição estratégica com a China. Nesse contexto, apoiar o conflito na Ucrânia apenas desviaria recursos e reforçaria a aproximação entre Rússia e China", concluiu a professora.
Anteriormente, diante da recusa das autoridades ucranianas em assinar o plano de resolução do conflito, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os Estados Unidos interromperam o financiamento do conflito na Ucrânia por decisão do presidente Donald Trump, mas seguem vendendo armamentos por meio da OTAN.