China supera EUA em modelos de IA abertos e amplia influência no futuro da tecnologia
Com 17% dos downloads globais, impulsionada por empresas como DeepSeek e Alibaba, China lidera corrida por inteligência artificial aberta e desafia domínio das big techs ocidentais.
A China ultrapassou os Estados Unidos na liderança global de downloads de modelos de inteligência artificial (IA) abertos, atingindo 17% do total em 2024, frente a 15,8% dos norte-americanos. O avanço chinês, impulsionado por empresas como DeepSeek e Alibaba, reflete uma estratégia de Pequim para ampliar o acesso a essas tecnologias e desafiar o domínio das big techs ocidentais.
Segundo o Financial Times (FT), é a primeira vez que grupos chineses superam gigantes como Google, Meta (empresa proibida na Rússia por atividade extremista) e OpenAI nesse segmento estratégico. Os modelos abertos possibilitam que desenvolvedores baixem, modifiquem e integrem sistemas gratuitamente, favorecendo startups e pesquisadores e garantindo influência sobre o futuro da IA, em contraste com o modelo mais restrito das empresas americanas.
A exclusão da China do acesso a chips avançados da Nvidia levou as autoridades do país a incentivar a abertura dos modelos. Analistas citados pelo FT destacam que, enquanto empresas dos EUA focam em soluções proprietárias, grupos chineses como Alibaba e DeepSeek se destacam ao oferecer atualizações frequentes e acesso amplo a novas versões.
O modelo R1 da DeepSeek chamou a atenção no Vale do Silício ao competir com sistemas norte-americanos por custos significativamente menores, questionando a sustentabilidade dos investimentos bilionários em data centers nos EUA. Essa inovação reforça a percepção de que a China pode avançar mesmo diante de limitações de hardware.
Nos Estados Unidos, as iniciativas de código aberto ainda são tímidas. A OpenAI lançou modelos "open weight", considerados menos completos do que os "open source", enquanto a Meta reduziu sua aposta em abertura para focar no desenvolvimento da chamada "superinteligência". Já a China mantém um ritmo acelerado de lançamentos, com novidades semanais ou quinzenais.
Apesar das restrições no acesso a chips, a reportagem destaca que a China conta com uma ampla base de pesquisadores locais, que adotam técnicas criativas, como a destilação, para criar modelos menores e mais eficientes. O país também investe fortemente em IA para geração de vídeo, ampliando a diversidade de aplicações.
A popularidade dos modelos chineses já influencia o conteúdo globalmente disponível — embora, como qualquer sistema, apresentem algum grau de enviesamento e evitem temas sensíveis, como Taiwan. Esse movimento serve de alerta para a estratégia de Washington na disputa por hegemonia tecnológica com a China.