AGÊNCIAS DE CLASSIFICAÇÃO

Fitch rebaixa ratings do BRB, mantém observação negativa e retira suporte do controlador

Rebaixamento reflete fragilidades na governança após afastamento de diretores e investigações sobre carteiras de crédito supostamente fraudulentas.

Publicado em 26/11/2025 às 11:34

A Fitch Ratings rebaixou os Ratings de Inadimplência do Emissor (IDRs) de longo prazo em moedas estrangeira e local do Banco de Brasília (BRB) para 'CCC', ante 'B-'. A agência também reduziu o Rating de Viabilidade (RV) para 'ccc', de 'b-', e o Rating Nacional de Longo Prazo para 'CCC(bra)', de 'BBB+(bra)'. Todos os ratings do banco permanecem em Observação Negativa.

Simultaneamente, a Fitch retirou o Rating de Suporte do Controlador (RSC) 'b-' e atribuiu ao BRB o Rating de Suporte do Governo (RSG) como 'Sem Suporte'.

De acordo com a agência de classificação de risco, o rebaixamento reflete o significativo enfraquecimento da governança e dos controles internos do banco, após o afastamento judicial de dois diretores. "As questões de governança e as investigações sobre carteiras de crédito supostamente fraudulentas adquiridas do Banco Master (liquidado extrajudicialmente em 18 de novembro) aumentaram substancialmente o risco de falha do BRB e revelaram graves deficiências nas práticas de supervisão e gestão de riscos. As investigações podem afetar significativamente o balanço, a capitalização e a franquia da entidade", aponta a Fitch.

A Observação Negativa, segundo a agência, reflete incertezas quanto à dimensão e ao impacto financeiro finais da alegada fraude. O conselho de administração do BRB já contratou uma auditoria externa especializada para investigar os pontos levantados pelas autoridades e determinar a extensão dos problemas.

A Fitch também justificou a retirada do RSC do BRB devido à incerteza e à possível magnitude das perdas associadas à investigação, além dos processos judiciais e de supervisão em andamento, que envolvem inclusive o acionista controlador. Esses fatores, segundo a agência, aumentam a complexidade, o custo e a sensibilidade política de qualquer eventual suporte do governo do Distrito Federal.

"Estes fatores criam incerteza em relação ao momento, ao âmbito e à coordenação de um possível suporte extraordinário do ente público. Portanto, a Fitch não considera mais o RSC do BRB relevante para sua cobertura", conclui a agência.