REESTRUTURAÇÃO DOS CORREIOS

Haddad afirma ter recebido diagnóstico real dos Correios apenas recentemente

Ministro da Fazenda destaca evolução da nova diretoria e descarta debate sobre privatização da estatal postal

Publicado em 26/11/2025 às 15:54
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad Reprodução

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou nesta quarta-feira (26) que somente "muito recentemente" recebeu um diagnóstico preciso sobre a situação dos Correios, apresentado pela nova diretoria da estatal. O presidente Emmanoel Schmidt Rondon, à frente da empresa desde setembro, conduz um plano de reestruturação para enfrentar os desafios financeiros da instituição.

Segundo Haddad, a atual gestão dos Correios tem apresentado "uma evolução satisfatória", e o diálogo com o Tesouro Nacional é "a melhor possível". "O que nós falamos é que qualquer solução para o caso vai passar, necessariamente, por um plano de reestruturação. Não há como o Tesouro Nacional pensar em algo que não passe por um plano de reestruturação aprovado pelo Tesouro, que é de quem se pede o aval para viabilizar financeiramente esse plano", afirmou o ministro em entrevista à GloboNews.

Questionado sobre a possibilidade de privatização da empresa, Haddad foi enfático: "Não vejo um debate dentro do governo sobre privatizar os Correios, não vejo isso acontecer da parte de nenhum ministro."

O ministro mencionou ainda um estudo recente que aponta as dificuldades de o Estado abrir mão dos serviços postais, muitos deles subsidiados para garantir a universalização. "O que tem acontecido no mundo é agregar aos serviços postais outros serviços, de natureza financeira, previdenciária, securitária, para dar sustentabilidade a um serviço postal universal. E é isso que nós estamos discutindo com a nova diretoria", explicou.

Haddad ressaltou que a equipe econômica fez questão de não criar exceções no arcabouço fiscal para os Correios. "O impacto fiscal deste ano foi absorvido pelo arcabouço fiscal. E nós vamos manter assim. Só vamos aprovar o plano de reestruturação se ele for apresentado de maneira consistente", garantiu.

O último Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, referente ao 5º bimestre do ano, elevou a projeção de déficit das empresas estatais em 2025 para R$ 9,2 bilhões, número fortemente influenciado pelos Correios. A estimativa de déficit da estatal mais que dobrou, saltando de R$ 2,4 bilhões no relatório anterior para R$ 5,8 bilhões. Diante desse cenário, o governo federal anunciou um contingenciamento de R$ 3,3 bilhões em despesas.