SAÚDE PÚBLICA

Instituto Butantan e WuXi lançam primeira vacina de dose única contra dengue

Imunizante desenvolvido no Brasil é aprovado pela Anvisa e promete ampliar proteção com apenas uma aplicação; produção nacional deve garantir distribuição a partir de 2026

Por Sputinik Brasil Publicado em 26/11/2025 às 18:50
© Sputnik / Guilherme Correia

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (26), a Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa WuXi. A aprovação amplia a capacidade de fabricação do imunizante, que será produzido integralmente no Brasil.

Destinada inicialmente a pessoas de 12 a 59 anos, a vacina aguarda avaliação do comitê de especialistas do Ministério da Saúde para ser incorporada ao calendário nacional. Segundo o Butantan, a colaboração com a WuXi permitirá acelerar a produção e garantir cerca de 30 milhões de doses adicionais a partir do segundo semestre de 2026.

O instituto já possui mais de 1 milhão de doses prontas, conforme anunciou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o evento ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“É uma vacina muito mais ampla e com maior capacidade de proteção do que a disponível atualmente”, destacou Padilha.

De acordo com estudos clínicos, o imunizante oferece proteção de cinco anos, eficácia superior a 90% contra formas graves da doença e 100% contra hospitalizações. O governo pretende iniciar a vacinação ainda em dezembro para públicos prioritários, caso a recomendação seja confirmada pelos especialistas. “Nossa expectativa é começar o ano com essa vacina incorporada ao calendário”, acrescentou o ministro.

Tarcísio de Freitas celebrou a aprovação como um marco científico para São Paulo. “Por ser de dose única, vai nos ajudar muito na cobertura vacinal. É a vitória da ciência, é a vitória do Butantan”, afirmou. O governo estadual destaca que o imunizante posiciona São Paulo como polo estratégico de biotecnologia e reduz a dependência de insumos importados.

No entanto, a vacina ainda não é indicada para gestantes, idosos acima de 60 anos e pessoas imunossuprimidas, que dependem de dados adicionais em coleta até 2028. O Butantan já recebeu autorização da Anvisa para testar o imunizante em pessoas de 60 a 79 anos e planeja ampliar estudos para o público pediátrico.

O diretor do Butantan, Esper Kallás, chamou atenção para a expansão global da dengue, impulsionada por extremos climáticos que favorecem a adaptação do mosquito a novas regiões, como Berlim e Tóquio.

Padilha reforçou a necessidade de combater fake news e garantir alta adesão à vacinação. “Tem gente espalhando mentira, vendendo curso falso e até detox de vacina. A resposta é união — governos, pesquisadores e a ciência brasileira trabalhando juntos”, afirmou.

O ministro também ressaltou que a produção nacional e o acordo com a WuXi fortalecem toda a cadeia do SUS. “Reduz mortes, casos graves e melhora o sistema como um todo, inclusive na regulação”, completou.

Ainda assim, Padilha destacou que a chegada da Butantan-DV não substitui medidas preventivas como o combate aos focos do mosquito transmissor.

O imunizante, tetravalente, foi projetado para proteger pessoas com ou sem contato prévio com o vírus da dengue, apresentando alta imunogenicidade, ou seja, capacidade de gerar resposta imune robusta.

O Ministério da Saúde informou que investe mais de R$ 10 bilhões anuais no Instituto Butantan. Para a expansão da estrutura de produção da vacina contra a dengue, são mais de R$ 1,2 bilhão pelo Novo PAC Saúde, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Brasil foi o primeiro país a ofertar a vacina no sistema público de saúde.