POLÍTICA MONETÁRIA EUROPEIA

Ata do BCE indica possível fim do ciclo de cortes de juros, mas destaca importância de manter flexibilidade

Documento ressalta cautela diante do cenário econômico e defende postura aberta a novos ajustes, caso necessário

Publicado em 27/11/2025 às 10:35
Banco Central Europeu Reprodução

O Banco Central Europeu (BCE) sinalizou, na ata da reunião monetária realizada entre 29 e 30 de outubro, que parte dos membros já considera encerrado o ciclo de cortes nas taxas de juros. A avaliação foi publicada nesta quinta-feira, 27, e se apoia em uma "perspectiva favorável" para a economia e na defesa de uma postura cautelosa diante do cenário atual.

Segundo o documento, "desde que as expectativas de inflação permaneçam firmemente ancoradas, a política monetária não deve ser ajustada em resposta a flutuações moderadas e temporárias da inflação em torno da meta, mas apenas se uma variação significativa da meta fosse esperada no médio prazo". A ata acrescenta ainda que a resiliência do quadro macroeconômico reforça a percepção do mercado de que os juros seguem em um patamar adequado.

O texto destaca que manter as taxas nos níveis atuais proporciona tempo para a análise de novos dados e avaliação dos riscos, estratégia considerada "vantajosa" pelos membros do BCE. "Argumentou-se também que o nível atual das taxas de juro deve ser considerado suficientemente robusto para gerir choques, tendo em conta os riscos inflacionários bilaterais e considerando uma ampla gama de cenários possíveis", completa o documento.

Apesar disso, a ata também registra a importância de manter uma postura "totalmente aberta" quanto à possibilidade de novos cortes, caso as condições futuras exijam. Além disso, a diminuição da incerteza sobre o impacto econômico das políticas comerciais dos Estados Unidos contribuiu para reduzir as dúvidas em relação à trajetória dos juros do BCE.

A expectativa para a inflação permanece praticamente inalterada, próxima da meta de 2% no médio prazo. No entanto, o BCE pondera que riscos ligados a tensões comerciais globais, interrupções na cadeia de suprimentos — como aumento de tarifas, restrições à exportação de matérias-primas essenciais e tensões geopolíticas — ainda são considerados significativos.