OPERAÇÃO POLICIAL

Pastor suspeito de intermediar extorsão para o Comando Vermelho é preso no entorno da Reduc

Líder religioso seria responsável por impor regras do tráfico a empresas e já havia sido detido com explosivos em Minas Gerais

Publicado em 27/11/2025 às 12:13
Ascom PCAL

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta quinta-feira (27), um pastor acusado de atuar como intermediador do Comando Vermelho para extorquir empresas situadas no entorno da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio. Segundo informações do governo, até o momento, três suspeitos foram detidos.

De acordo com a Polícia Civil, o líder religioso faz parte de uma associação criminosa responsável por extorsões sistemáticas contra empresas da região. O pastor se apresentava como representante comunitário e impunha regras determinadas pelo chefe do tráfico. Conforme as investigações, ele exigia a proibição de caminhões em pátios, a contratação de moradores indicados pelo tráfico e oferecia "mediação" para evitar represálias.

O inquérito reúne relatos de representantes empresariais, termos de declaração e atas do Ministério do Trabalho que comprovam que empresas foram obrigadas a suspender atividades por dias devido às ameaças do grupo criminoso. A apuração também revelou que sindicatos e associações de fachada estavam sendo utilizados pelo tráfico para pressionar empresários. Policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), da Baixada Fluminense (DRE-BF) e da 60ª DP (Campos Elíseos) participaram da "Operação Refinaria Livre".

O grupo é liderado por Joab da Conceição Silva, chefe do tráfico de drogas na região e integrante do Comando Vermelho. Os policiais cumprem mandados de prisão temporária e de busca e apreensão.

Pastor já havia sido preso com explosivos

No início deste mês, o pastor já havia sido detido em Betim (MG) durante a "Operação Aves de Rapina", transportando uma pistola, seis granadas artesanais, munições e dinheiro em espécie. Ele admitiu ter levado os explosivos de Duque de Caxias para Minas Gerais, com o objetivo de intimidar e interromper serviços na Refinaria Gabriel Passos (Regap), sob pretexto de atender a um "movimento grevista" articulado por sindicatos ligados ao grupo criminoso. No veículo também estava o presidente de uma associação de empresas de transporte de combustível.

Como funcionava o esquema na Reduc

Segundo as investigações, empresas instaladas na área industrial da Reduc eram forçadas a pagar mensalidades ao tráfico, sob ameaças de incêndio de caminhões, agressões a funcionários, interrupção violenta das atividades e bloqueio de acesso às instalações industriais.

Integrantes da associação criminosa infiltravam-se em setores industriais, controlando ilegalmente processos de contratação, indicando candidatos sem qualificação, interferindo em seleções e cobrando vantagens indevidas em troca de vagas de emprego. O grupo também impunha a contratação de parentes e aliados do tráfico, garantindo presença e controle direto no polo industrial.

Entre os contratados identificados está a companheira de Joab, que ingressou em uma das empresas poucos dias antes do ataque criminoso à 60ª Delegacia de Polícia, ocorrido em fevereiro de 2025 e comandado por Joab da Conceição Silva, segundo a Polícia Civil.