ECONOMIA

Marinho cobra corte urgente de juros pelo Banco Central após resultado do Caged

Ministro do Trabalho atribui baixo saldo de empregos formais à Selic elevada e pede sensibilidade da autoridade monetária para evitar desaceleração econômica

Publicado em 27/11/2025 às 15:52
Luiz Marinho Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira, 27, que é urgente o Banco Central (BC) demonstrar sensibilidade para reconhecer a necessidade de cortar a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15%. “Se não, daqui a pouco vai inverter a curva. Vai deixar de ter crescimento pequeno e vai começar a ter decréscimo real”, declarou Marinho a jornalistas.

Segundo o ministro, o atual patamar da Selic contribuiu para o desempenho abaixo do esperado no Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de outubro, quando foram gerados 85.147 empregos formais, número inferior à mediana do mercado, que projetava 120 mil novas vagas.

“É momento, mais que urgente, do Banco Central tomar medidas em relação ao monitoramento das taxas de juros, porque há um grande entendimento que é isso que está inibindo o ritmo dos investimentos”, reforçou Marinho, durante coletiva de imprensa ao comentar os dados do Caged.

O ministro afirmou ainda que, desde maio, vem alertando a autoridade monetária sobre o processo de desaceleração da economia.

Marinho destacou que o cenário para 2025 já está praticamente definido, mas cobrou do BC maior clareza sobre as diretrizes para o próximo ano, a fim de “não cometer uma barbeiragem na economia”, o que, segundo ele, poderia levar a um processo de decréscimo e prejudicar a geração de empregos no país.

O titular da pasta do Emprego acrescentou que duas medidas devem ajudar a economia em 2026: o aumento real do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. “Mas era preciso que o Banco Central desse uma contribuição além disso”, completou. “Você tem que liberar investimento para alargar a capacidade de produção do País, que é outro meio de controlar a inflação. Não é somente pela restrição pelos juros altos. Isso, eu diria, não é a forma mais inteligente de monitorar a economia sob esse aspecto.”

Por fim, Marinho disse esperar que “os sabidos da economia possam ajudar o Banco Central a encontrar o alvo para dar o tiro certo”.