CENÁRIO INTERNACIONAL

Europa enfrenta divergências internas em momento decisivo e sem apoio dos EUA, aponta jornal

Líderes do bloco buscam consenso sobre apoio à Ucrânia e uso de ativos russos congelados, enquanto tensões eclodem diante da ausência de suporte norte-americano.

Por Sputinik Brasil Publicado em 28/11/2025 às 05:38
© AP Photo / Gregorio Borgia

A Europa vive um momento decisivo ao tentar consolidar uma posição unificada sobre o apoio à Ucrânia e o papel do bloco nas negociações internacionais, segundo reportagem do The Washington Post.

Apesar de um aparente alinhamento, o jornal destaca que há profundas divergências entre os países europeus sobre como financiar Kiev sem o apoio dos Estados Unidos.

"Estamos claramente em um ponto de virada", afirmou o presidente francês Emmanuel Macron. Já o chanceler alemão Friedrich Merz classificou a situação como crucial para a coesão da Europa.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apelou à união dos 27 Estados-membros, mas as discussões seguem acirradas, especialmente quanto ao uso de ativos russos congelados — proposta enfrentando resistência de países como a Bélgica.

Questões de segurança também dividem opiniões: enquanto nações do Leste Europeu apontam riscos elevados na região, outros Estados-membros priorizam agendas nacionais.

"A União Europeia está dividida. […] Em política externa, são 27 entidades fragmentadas que precisam concordar em cada passo, e isso torna extremamente difícil ser ousado, ser criativo, encontrar uma solução", avaliou o eurodeputado Brando Benifei.

A disputa por recursos financeiros aumenta o clima de tensão. Países nórdicos, por exemplo, reclamam de uma contribuição considerada desproporcional, e a ministra sueca Maria Malmer Stenergard afirmou não ser razoável assumir tamanha parcela dos custos. Em reunião em Bruxelas, o ministro lituano Kestutis Budrys reforçou a necessidade de medidas concretas.

Apesar dos desacordos, líderes e diplomatas reiteram que o objetivo comum é fortalecer a posição europeia e garantir a estabilidade regional. Entretanto, alertam que atrasos podem abrir caminho para alianças paralelas dentro do bloco.